Brasília – O Conselho Federal de Química (CFQ) advertiu que a tentativa de identificar, em casa, a presença de metanol em bebidas alcoólicas pode provocar intoxicação. O analista químico do CFQ, Siddhartha Giese, explicou que cheirar ou provar o produto suspeito coloca a pessoa em risco semelhante ao de quem consome a bebida adulterada.
Denúncias devem ser formais
Para colaborar com a fiscalização, o especialista orienta que consumidores utilizem canais oficiais. É possível registrar reclamações de forma anônima no site do Procon, nas vigilâncias sanitárias estaduais ou municipais, nas delegacias da Polícia Civil e nos Conselhos Regionais de Química. Essas informações ajudam as autoridades a localizar e retirar do mercado lotes irregulares.
Sinais de falsificação
Antes da compra, Giese recomenda uma verificação visual: embalagens com lacres tortos, rótulos desalinhados, erros de ortografia, ausência de CNPJ, endereço do fabricante ou número de lote e preços muito abaixo do praticado pelo mercado devem levantar suspeitas.
Fiscalização do produto
No Brasil, a comercialização do metanol é controlada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e pela Polícia Federal. Qualquer operação – importação, transporte, armazenamento ou uso – exige cadastro prévio, autorização específica e rastreabilidade total. A ANP fiscaliza empresas autorizadas a importar e vender o produto, que é quase totalmente trazido do exterior e destinado a processos industriais, como a produção de biodiesel e formaldeído.
Quando há indícios de desvio para fins criminosos, como a adulteração de bebidas ou combustíveis, a Polícia Federal realiza operações de apreensão e interdição. Empresas que manuseiam substâncias químicas também precisam de um responsável técnico registrado no CFQ, encarregado de garantir o cumprimento das normas sanitárias e ambientais.
Intoxicação é emergência médica
O metanol se transforma no organismo em formaldeído e ácido fórmico, compostos altamente tóxicos. Visão turva ou perda de visão, náuseas, vômitos, dores abdominais e sudorese estão entre os sintomas mais comuns. O CFQ orienta buscar atendimento médico imediato e acionar o Disque-Intoxicação da Anvisa pelo telefone 0800-722-6001. Centros de informação toxicológica, como o CIATox local ou o Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo (11) 5012-5311 ou 0800-771-3733, também prestam suporte especializado.
Em situações suspeitas, o conselho reforça: não faça testes em casa e avise outras pessoas que possam ter ingerido a mesma bebida para que procurem avaliação médica o quanto antes.
Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
Ficar atento aos sinais de falsificação e recorrer aos órgãos de fiscalização são as maneiras mais seguras de evitar acidentes. Se quiser saber mais sobre cuidados que preservam sua saúde e seu bolso, confira outras orientações em nossa seção de Economia.
Resumo: o CFQ alerta que o simples ato de cheirar ou provar uma bebida suspeita pode levar à intoxicação por metanol. Denuncie aos canais oficiais e procure assistência médica imediata diante de qualquer sintoma.
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Com informações de Agência Brasil



