Brasília – O comércio clandestino de canetas emagrecedoras proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) transformou-se em problema de saúde pública no Brasil. Trazidos ilegalmente do Paraguai, os medicamentos são oferecidos nas ruas de Ciudad del Este, nas redes sociais e até em anúncios improvisados de laboratórios.
Contrabando em expansão
A Receita Federal apreendeu 2.500 unidades dessas canetas em 2024. No ano anterior, o número chegou a 30 mil, carga estimada em mais de R$ 30 milhões. Auditorias apontam que apenas 5% do total que entra no país é retido, o que projeta um mercado clandestino de aproximadamente R$ 600 milhões por ano.
Para burlar a fiscalização, contrabandistas escondem os produtos em estofamentos de veículos, fundos falsos de ônibus e até dentro de pneus. Grupos de mensagens criados para monitorar barreiras policiais cobram R$ 100 de acesso.
Venda sem receita e sem controle
Em Porto Alegre, um vendedor admitiu comprar entre 40 e 60 caixas de cada vez e comercializar sem prescrição médica. A prática viola a legislação sanitária; segundo a delegada Milena, a falsificação ou corrupção de medicamentos configura crime contra a saúde pública, com pena de 10 a 15 anos de prisão.
Efeitos adversos severos
O uso de produtos sem procedência pode levar a complicações graves. Em novembro, a administradora Kellen Oliveira, 42 anos, foi internada com fortes dores abdominais após utilizar uma caneta comprada no Paraguai. Diagnosticada com a síndrome de Guillain-Barré, permanece na UTI.
De acordo com Felipe Henning, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, é impossível garantir se reações desse tipo decorrem do princípio ativo, de contaminantes ou do mau armazenamento. “Esses efeitos colaterais podem ser tão severos que podem levar o paciente ao óbito”, alerta.
Posição das autoridades
A Anvisa reforça que medicamentos sem registro no Brasil não podem ser vendidos. A única exceção é a importação excepcional feita por pessoa física, para uso próprio e com prescrição médica.
Imagem: g1.globo.com
No Paraguai, a agência reguladora emitiu alerta sobre a tirzepatida, substância presente em parte das canetas, afirmando que não há garantias de qualidade, segurança ou eficácia.
Especialistas defendem cooperação
Luciano Barros, do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras, destaca a necessidade de protocolos conjuntos entre as agências sanitárias dos dois países para conter o avanço do contrabando. Enquanto isso, profissionais de saúde insistem na orientação médica e na compra apenas em farmácias autorizadas.
Para saber mais sobre os impactos econômicos do contrabando e outras práticas ilegais, visite a seção de Economia do nosso site.
O contrabando de canetas emagrecedoras continua a desafiar autoridades e expor consumidores a ameaças que vão além da perda de peso prometida.
Com informações de G1



