Dossiê aponta 80 assassinatos de pessoas trans no Brasil em 2025

Pelo menos 80 pessoas trans e travestis foram assassinadas no Brasil em 2025, segundo levantamento que a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) divulga nesta segunda-feira (26). O total representa queda de 34,4% em relação aos 122 casos registrados em 2024, mas mantém o país, pelo 17º ano consecutivo, na liderança mundial de homicídios dessa população.

Perfil das vítimas

A entidade identificou que a vítima mais jovem tinha 13 anos. Entre os 57 episódios em que foi possível apurar a raça ou cor, 70% eram pessoas trans negras. A maioria era de jovens de 13 a 29 anos, em situação de vulnerabilidade socioeconômica e que recorria ao trabalho sexual como fonte de renda. Em 67,5% dos crimes, o assassinato ocorreu em cidades do interior; apenas 32,5% foram registrados em capitais.

Distribuição geográfica

Ceará e Minas Gerais lideram o ranking com oito mortes cada. Bahia e Pernambuco vêm na sequência, com sete ocorrências. Maranhão, Pará e Goiás registraram cinco casos cada. Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte e São Paulo tiveram quatro; Mato Grosso e Rio de Janeiro, três; Alagoas, Distrito Federal, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul, dois; Amazonas, Amapá, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Sul, um. Acre, Piauí, Rondônia, Tocantins e Roraima não tiveram registros, fato que a Antra atribui à subnotificação.

Metodologia e subnotificação

Para elaborar o dossiê, a associação compilou informações de reportagens, redes sociais e fontes não governamentais, já que o Estado brasileiro não produz dados oficiais específicos. A presidente da Antra, Bruna Benevides, alerta que a ausência de registros em alguns estados reflete a invisibilidade das identidades trans em boletins de ocorrência e a dificuldade de reconhecimento de crimes como transfóbicos.

Números por identidade de gênero

Dos 80 assassinatos de 2025, 77 vitimaram travestis e mulheres trans; outros três envolveram homens trans e pessoas transmasculinas.

Fatores que dificultam o monitoramento

O relatório destaca seis razões para considerar a redução numérica um falso indicativo de melhora: falta de cooperação estatal, retração de cobertura da mídia tradicional, limitações de conteúdo nas redes sociais, ataques a organizações de direitos humanos, medo de circular em espaços públicos e descrédito nas instituições de segurança e justiça.

Reivindicações da Antra

A entidade defende a produção de estatísticas oficiais com recorte de identidade de gênero, formação das forças de segurança, investigação adequada, responsabilização dos autores, além de políticas de inclusão em saúde, educação, trabalho e ações de enfrentamento à transfobia.

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Imagem: g1.globo.com

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O dossiê indica que, apesar da aparente redução nos números absolutos, a violência contra pessoas trans permanece elevada, exigindo ações coordenadas do poder público e da sociedade civil.

Resumo: relatório da Antra mostra 80 mortes de pessoas trans em 2025, destaca perfil jovem, negro e empobrecido das vítimas e denuncia subnotificação dos casos.

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Com informações de G1