A nova pesquisa do Instituto Datafolha indica empate numérico entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno presidencial de 2026, cada um com 50% dos votos válidos, quando restam apenas três dias para a votação.
Resultados consolidados da sondagem
Nos votos totais, Flávio Bolsonaro manteve 47%, enquanto Lula avançou de 45% para 46%, reduzindo a diferença de dois pontos percentuais observada na rodada anterior de 15 de outubro. O levantamento, realizado entre 20 e 22 de outubro, ouviu 2.520 eleitores com idade mínima de 16 anos em 183 municípios.
A margem de erro é de ±2 pontos percentuais e o nível de confiança atinge 95%. O registro oficial no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aparece sob o número BR-09709/2026.
Entre os entrevistados, 5% declararam voto branco, nulo ou em nenhum dos candidatos, ante 6% na semana anterior. Os indecisos seguem em 2%.
Evolução dos indicadores desde o início do segundo turno
A leitura dos números evidencia oscilações dentro da margem de erro, mas com tendência de convergência entre os dois postulantes:
- 15/10: Flávio Bolsonaro 51% x Lula 49% (votos válidos)
- 22/10: Flávio Bolsonaro 50% x Lula 50% (votos válidos)
No cenário espontâneo, em que o entrevistador não apresenta a lista de concorrentes, o senador registra 46% e o presidente, 45%. Brancos, nulos e nenhum somam 4%, enquanto os que não souberam responder variam de 3% para 4% em sete dias.
O índice de rejeição também exibe movimento relevante. A parcela que afirma não votar “de jeito nenhum” em Flávio Bolsonaro passou de 44% para 46%. Já a rejeição a Lula oscilou de 46% para 45%. Outros 3% rejeitam ambos e 6% não rejeitam nenhum.
Avaliação de governo e impacto na preferência do eleitorado
A aprovação ao governo Lula atinge 49%, superando a desaprovação, que está em 48%. É a primeira vez, desde julho, que o saldo se mostra positivo: na medição anterior, o cenário estava invertido (50% desaprovação x 48% aprovação).

No detalhe da avaliação de desempenho, 39% consideram a gestão ruim ou péssima, 36% a classificam como ótima ou boa e 24% apontam como regular. O grupo que não opina permanece em 1%.
Especialistas em comportamento eleitoral costumam associar variações na aprovação presidencial a movimentos de intenção de voto, sobretudo em pleitos polarizados. A ligeira recuperação da avaliação positiva de Lula pode ter contribuído para o encurtamento da distância em votos válidos.
Metodologia da pesquisa e cenário jurídico
O Datafolha utilizou questionário estruturado aplicado por entrevistadores presenciais. A amostra probabilística respeitou cotas de sexo, faixa etária, escolaridade, renda familiar e região geográfica, garantindo representatividade nacional. O critério de confiabilidade de 95% sinaliza que, a cada 100 levantamentos com a mesma metodologia, os resultados permaneceriam no intervalo da margem em 95 casos.
Do ponto de vista legal, a divulgação segue as normas da Resolução TSE nº 23.600/2019, que disciplina pesquisas eleitorais, inclusive quanto à obrigatoriedade de registro prévio dos dados metodológicos.
Vale lembrar que, desde 2018, o Tribunal Superior Eleitoral reforçou a fiscalização sobre levantamentos divulgados nas 72 horas que antecedem o pleito, exigindo transparência integral de dados e penalidades em caso de inconsistência.
Conclusão técnica
Com a paridade numérica identificada pelo Datafolha e a margem de erro de dois pontos percentuais, a disputa segue estatisticamente indefinida. A trajetória de diminuição da vantagem inicialmente obtida por Flávio Bolsonaro indica um eleitorado volátil, sensível a fatores como rejeição pessoal, avaliação de governo e mobilização de indecisos. Até o encerramento oficial da campanha, pesquisas complementares e os debates finais podem influenciar parcela reduzida, porém decisiva, do eleitorado. A apuração de 25 de outubro confirmará se a convergência apontada pelo instituto se traduzirá em empate real ou se algum candidato alcançará maioria simples dos votos válidos.



