Receio de imposto sobre dividendos faz empresas anteciparem remessas e pode pressionar dólar no fim de 2025

A possibilidade de taxação de dividendos prevista no projeto de lei que altera o Imposto de Renda já começa a provocar movimento de empresas para enviar recursos ao exterior antes que a nova regra entre em vigor. Segundo operadores e analistas consultados, essa antecipação pode gerar uma saída expressiva de dólares do país nos últimos meses de 2025.

Profissionais do mercado afirmam que, desde que o texto do PL ganhou força no Congresso, companhias com filiais ou acionistas fora do Brasil passaram a estruturar remessas extraordinárias de dividendos e juros sobre capital próprio. A estratégia busca driblar a tributação que, caso aprovada, incidirá sobre valores distribuídos a partir do ano-calendário seguinte.

O fluxo cambial tende a ficar negativo, repetindo o padrão observado no final de 2024, quando rumores semelhantes levaram empresas a acelerar o envio de recursos. Na época, o Banco Central registrou déficit de cerca de US$ 8 bilhões entre outubro e dezembro, puxado sobretudo por pagamentos de lucros e dividendos.

Embora o real tenha se mantido relativamente estável neste ano, negociando entre R$ 4,90 e R$ 5,10 por dólar, operadores alertam que uma retirada concentrada de divisas pode elevar a cotação da moeda norte-americana. “Se a saída ultrapassar a marca de US$ 10 bilhões no trimestre, a pressão sobre o câmbio será inevitável”, disse um gestor que preferiu não se identificar.

O calendário é outro ponto de atenção: muitos conselhos de administração costumam deliberar dividendos extraordinários em novembro e dezembro. Caso a votação do PL avance nesse período, a corrida para remeter valores antes da virada do ano tende a se intensificar.

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Imagem: Leo Pinheiro via valor.globo.com

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No cenário atual, especialistas recomendam acompanhar o andamento do projeto no Legislativo e os boletins diários do Banco Central sobre fluxo cambial, indicadores que ajudarão a dimensionar o impacto real dessas remessas antecipadas.

Com informações de Valor Econômico