Eternit reportou aumento de 25,4 % na divisão de fibrocimento no 2T26 e acelera a conversão de linhas fabris para placas e revestimentos de construção industrializada, enquanto a mineração de amianto continua representando parcela de 25,9 % do faturamento total da companhia.
Plano de diversificação concentra investimentos nas fábricas existentes
A estratégia capitaneada pelo CEO Rodrigo Angelo Inácio prioriza a geração de receita a partir de produtos de maior valor agregado, como placas cimentícias e painéis estruturais para casas modulares. O projeto, iniciado há aproximadamente dois anos, já conta com duas das catorze linhas industriais convertidas e uma terceira em processo de adaptação. Segundo a diretora financeira e de relações com investidores, Carisa Portela Cristal, o custo de cada conversão equivale a cerca de 10 % do desembolso necessário para erguer uma planta nova, o que preserva capital e reduz o prazo de maturação.
A demanda parte de clientes como a rede Espaço Smart, com mais de 50 lojas especializadas em construção modular, e da unidade Alea, da construtora Tenda. Embora o mercado de construção industrializada represente apenas 8 % do segmento nacional — ante 2 % há quatro anos —, a administração da Eternit projeta dobrar essa participação até o fim de 2026, criando um novo motor de crescimento para os próximos cinco anos.
Para suportar a expansão, a companhia transferiu sua sede administrativa da Avenida Faria Lima, em São Paulo, para o complexo fabril de Hortolândia (SP), decisão que visa agilizar fluxos de aprovação e reduzir despesas fixas. As demais plantas estão distribuídas em Rio de Janeiro (RJ), Colombo (PR), Goiânia (GO), Simões Filho (BA), Manaus (AM) e Caucaia (CE), além da mina de amianto em Minaçu (GO).
Resultados do 2T26 destacam avanço do fibrocimento e pressão cambial
No segundo trimestre de 2026, a Eternit reportou receita consolidada de R$ 293,6 milhões, incremento de 6,1 % ante o mesmo intervalo de 2025. O segmento de fibrocimento, que engloba telhas e as novas placas estruturais, avançou 25,4 % em receita líquida, alcançando R$ 210,1 milhões, com alta de 14,0 % no volume de vendas. Esse desempenho elevou a margem do segmento em 6 pontos percentuais, para 19,8 %.
O lucro bruto consolidado, porém, recuou 25,4 %, somando R$ 53,85 milhões, impactado principalmente pela operação de amianto crisotila. No período, o negócio de mineração gerou receita líquida de R$ 76 milhões, retração de 20,7 %. A valorização do real frente ao dólar causou perda cambial de R$ 7 milhões sobre exportações, comprimindo margens.
O lucro líquido totalizou R$ 13,65 milhões, queda de 55,4 % em relação ao 2T25, mas reverteu o prejuízo do trimestre anterior. A alavancagem medida pela relação dívida líquida/Ebitda atingiu 2,96 x, refletindo endividamento líquido de R$ 161,2 milhões, aumento de 29,27 % sobre o 1T26.

Mesmo fora do Ibovespa, as ações ETER3 contam com base de 18,8 mil investidores pessoa física, atraídos pela política de distribuição mínima de 25 % do lucro. O acionista de referência Luiz Barsi Filho detém 5,02 % do capital, enquanto o fundo D+1 FIA, do BTG Pactual, possui 27,19 %.
Amianto permanece relevante e depende de decisão judicial
A extração de amianto crisotila, conduzida pela subsidiária Sama em Minaçu, representa pouco mais de um quarto da receita da Eternit. O minério é classificado como cancerígeno pela Organização Mundial da Saúde e teve uso industrial proibido no Brasil após decisão do Supremo Tribunal Federal em 2017. Uma lei estadual em Goiás, criada em 2009, permite a continuidade da atividade exclusivamente para exportação, mas sua constitucionalidade segue em julgamento.
Em agosto de 2024, foi sancionada a Lei nº 22.932 do Estado de Goiás, que prevê encerramento da mineração e remoção das instalações em até cinco anos a partir da assinatura de um termo de compromisso ainda pendente. A administração da Eternit afirma que cumprirá o cronograma determinado pela Justiça e avalia transformar a cava da mina em lago após o descomissionamento.
A dependência do amianto cria volatilidade adicional nos resultados trimestrais, como evidenciado pela queda de embarques em março de 2026. A regularização das exportações e a evolução cambial continuarão a influenciar a lucratividade até a diversificação atingir escala suficiente para compensar a redução gradual dessa operação.
Conclusão Técnica
Os números do 2T26 confirmam que o fibrocimento — impulsionado por telhas tradicionais e, principalmente, por placas de construção industrializada — já desponta como principal vetor de expansão para a Eternit. A companhia acelera a conversão de linhas de produção, realoca a sede para o ambiente fabril e utiliza a capilaridade de oito unidades para reduzir custos logísticos. Em paralelo, a mineração de amianto segue relevante, mas enfrenta horizonte finito à medida que o processo judicial avança e o prazo legal de cinco anos se aproxima. Caso a empresa mantenha o ritmo de migração para produtos de maior margem e controle a alavancagem, há espaço para reforçar a distribuição de dividendos dentro de um ciclo de dois anos, conforme indicado pela diretoria.



