Pular para o conteúdo

Fusão entre Afya e Yduqs pode adicionar R$ 258 milhões ao lucro anual e reduzir múltiplo P/L para até 3 vezes, indica Itaú BBA

    A perspectiva de união entre Afya e Yduqs projeta um ganho líquido de R$ 258 milhões ao ano, corte de 20% em despesas administrativas e recuo do múltiplo preço/lucro para até 3 x em 2027, conforme relatório do Itaú BBA.

    Sinergias estimadas: economia anual e impacto tributário

    O estudo do Itaú BBA calcula que, ao combinar operações, as companhias eliminariam redundâncias em pessoal, sistemas e estruturas físicas, reduzindo em cerca de 20% as despesas gerais e administrativas (G&A). Essa eficiência corresponde a R$ 338 milhões por exercício social.

    Entretanto, a integração provocaria aumento de encargos fiscais para a Yduqs, estimado em R$ 80 milhões anuais. Descontado esse efeito, o ganho líquido fica em R$ 258 milhões, valor que poderia elevar o lucro contábil projetado para 2027 de R$ 532 milhões para R$ 790 milhões.

    Com a revisão do resultado, o múltiplo preço/lucro (P/L) da Yduqs deve recuar do intervalo atual de 4 x – 5 x para 3 x – 4 x, patamar considerado mais atrativo pelo banco.

    Escala em cursos de medicina e distribuição geográfica

    Afya e Yduqs somam 6.567 vagas autorizadas em medicina, formando a maior plataforma do segmento entre empresas listadas em bolsa no país. A Afya detém 4.447 cadeiras distribuídas em 32 campi, enquanto a Yduqs administra 2.120 vagas em 19 localidades.

    Apesar do foco compartilhado, a sobreposição imediata ocorre em apenas três cidades, o que sinaliza complementaridade regional. Quando analisado um raio de 50 km, a participação conjunta atinge cerca de 50% em regiões como Teresina (PI), Ji-Paraná (RO) e Grande Rio de Janeiro, cenário que poderá receber atenção do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

    A Afya, controlada pelo grupo alemão Bertelsmann e listada na Nasdaq, concentra 10,5% das novas vagas médicas no país e opera campi de maior porte. Já a Yduqs possui portfólio diversificado com as marcas Estácio, Ibmec, Idomed, Wyden e Damásio, respondendo por 5% das vagas.

    Fusão entre Afya e Yduqs pode adicionar R$ 258 milhões ao lucro anual e reduzir múltiplo P/L para até 3 vezes, indica Itaú BBA - Imagem do artigo original

    Precedentes regulatórios e probabilidade de aprovação

    A tentativa frustrada de fusão entre Kroton (Cogna) e Estácio, vetada pelo Cade em 2017, serve de referência para o atual processo. Na opinião do Itaú BBA, o risco concorrencial em Afya e Yduqs é menor, pois a concentração relevante se limita a núcleos específicos. O órgão antitruste costuma adotar remédios locais, como a venda de unidades em áreas sobrepostas, em vez de bloquear operações de alcance nacional.

    O relatório destaca que grandes aquisições moldaram o ensino superior privado na última década. A própria Yduqs alcançou seu porte atual via incorporações, enquanto a Afya nasceu da junção entre NRE Educacional e Medcel em 2019.

    Valuation, recomendação e metas de preço

    O Itaú BBA renovou o horizonte de avaliação para 2027 e reiterou recomendação outperform para ambas as ações. O preço-alvo definido é de R$ 16 para YDUQ3, o que implica potencial de valorização de 50,9%. Para AFYA, listada em Nova York, o alvo é US$ 18, sinalizando avanço de 32,4%.

    Com a captura integral das sinergias, a companhia resultante deverá apresentar margens superiores às médias setoriais, maior previsibilidade de caixa e possibilidade de acelerar investimentos em expansão de novos campi ou aquisição de autorizações de vagas médicas.

    Conclusão técnica

    A fusão proposta combina massa crítica em cursos de medicina, eficiência operacional e diversificação de receitas, potencializando um ganho líquido estimado em R$ 258 milhões por ano. O novo patamar de rentabilidade projeta múltiplo P/L entre 3 x e 4 x, índice que reforça a atratividade das ações diante do setor. Do ponto de vista regulatório, o histórico de decisões do Cade sugere eventuais ajustes regionais em vez de bloqueio integral, hipótese considerada manejável pelo Itaú BBA. A materialização dos cortes de G&A, aliada a sinergias acadêmicas e tecnológicas, permanece condição central para capturar o prêmio estimado pelo mercado no ciclo até 2027.

    “`