Itaú avança na estratégia internacional e obtém aval preliminar para criar banco nacional nos EUA

Itaú Unibanco recebeu em 17 de agosto de 2026 a aprovação preliminar do Office of the Comptroller of the Currency (OCC) para constituir o Itaú Bank, instituição com licença nacional nos Estados Unidos. O sinal verde marca etapa decisiva no plano de expansão internacional do maior banco privado da América Latina, que ainda depende do crivo do Federal Reserve Board (Fed) e da Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) antes do início efetivo das operações.

Processo regulatório e obrigações pendentes

A carta-condição emitida pelo OCC autoriza a criação jurídica do Itaú Bank, porém estabelece requisitos a serem cumpridos até a autorização final. Entre eles estão:

  • capitalização mínima compatível com parâmetros de Basel III aplicados pelo regulador norte-americano;
  • implantação de sistemas de governança e compliance alinhados às normas federais dos EUA;
  • envio de cronograma detalhado de abertura de agências, produtos e contratação de equipe local.

Concluída essa fase, o dossiê segue para análise conjunta do Fed — responsável por supervisionar holdings bancárias estrangeiras — e da FDIC, que avalia a adesão ao seguro-depósito compulsório. Somente após parecer favorável desses órgãos o Itaú Bank poderá iniciar operações de captação de depósitos, concessão de crédito e oferta de serviços corporativos em todo o território norte-americano.

Histórico de presença nos Estados Unidos

O Itaú Unibanco mantém presença institucional em Nova York desde 1979, atuando principalmente em investment banking, trade finance e gestão de recursos. Em 2012, a casa reforçou a área de private banking para atender clientes de alta renda da América Latina com ativos dolarizados.

Segundo dados corporativos divulgados em relatório anual, a operação norte-americana representa hoje aproximadamente 7 % do lucro líquido do conglomerado financeiro, com ativos administrados superiores a US$ 50 bilhões. A criação de um banco nacional amplia o escopo para:

  • captar depósitos de varejo e de pequenas e médias empresas locais;
  • oferecer linhas de crédito denominadas em dólar a multinacionais brasileiras e clientes dos EUA;
  • participar do sistema de pagamentos federais, reduzindo custos operacionais.

Estratégia corporativa e impacto para clientes

Em comunicado ao mercado, a administração afirmou que a constituição do Itaú Bank se alinha à estratégia de “fortalecer a proposta de valor com uma oferta mais abrangente de produtos e serviços financeiros” nos EUA. A iniciativa complementa o programa de internacionalização iniciado com a aquisição da Citibank Personal Banking & Wealth Management Brasil em 2017 e com a entrada no ecossistema de fintechs latino-americanas a partir de 2023.

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Para clientes corporativos, a presença de um banco nacional pode reduzir prazos de liquidação cambial e simplificar estruturas de financiamento de comércio exterior. Já para investidores institucionais, a iniciativa reforça a posição do Itaú Unibanco no ranking de bancos estrangeiros ativos no mercado norte-americano, segmento liderado atualmente por grupos europeus e asiáticos.

Cenário competitivo e tendências de mercado

A expansão coincide com maior interesse de instituições financeiras latino-americanas em diversificar receitas fora de seus mercados domésticos. De acordo com levantamento da Bank Policy Institute, a participação de bancos estrangeiros no sistema dos EUA subiu de 11,2 % para 13,5 % de ativos totais entre 2019 e 2025. Nesse contexto, o movimento do Itaú acontece em paralelo a:

  • iniciativas de digitalização regulatória promovidas pelo OCC para facilitar o ingresso de bancos internacionais;
  • aumento da demanda por operações de crédito cross-border, impulsionada pela cadeia de fornecimento entre América Latina e Estados Unidos;
  • ambiente de juros norte-americanos em patamar elevado, atraindo aplicações de renda fixa em dólar.

Especialistas do setor apontam que a exigência de capital adicional em moedas fortes pode pressionar índices de Basel III dos bancos da região, porém, enseja oportunidades de captação junto a investidores globais via emissões de bônus sustentáveis e instrumentos híbridos.

Conclusão Técnica

A aprovação preliminar do OCC confirma a conformidade inicial do projeto Itaú Bank com a legislação bancária federal dos EUA. O conglomerado brasileiro segue agora para as etapas de avaliação pelo Fed e pela FDIC, cuja conclusão definirá o cronograma definitivo de abertura. Até lá, a instituição mantém suas operações existentes em Nova York e prepara adequações de capital, sistemas de risco e estrutura de governança para atender às exigências norte-americanas. O desfecho do processo é esperado para ocorrer ao longo de 2027, condicionando a entrada plena do Itaú no segmento de varejo bancário dos Estados Unidos.