Os juros médios cobrados de pessoas físicas no crédito livre encerraram 2025 em 60,1% ao ano, alta de 7 pontos percentuais em relação a dezembro de 2024, segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito publicadas pelo Banco Central nesta quinta-feira (29).
Cartão de crédito pressiona a média
A maior influência sobre o avanço foi do cartão de crédito rotativo. Mesmo após a regra que limita a cobrança de juros, em vigor desde janeiro de 2024, a taxa da modalidade recuou 13,6 pontos percentuais no ano, mas permaneceu em patamar elevado: 438% ao ano. O rotativo é acionado quando o consumidor paga valor inferior ao total da fatura e vale por até 30 dias, período em que incidem os encargos mais altos do mercado.
Depois desses 30 dias, o saldo é migrado para o cartão parcelado. Nessa fase, os juros também subiram, atingindo 189% ao ano – avanço de 17,9 pontos percentuais em 2025.
Outras linhas para pessoas físicas
No crédito pessoal não consignado, as taxas chegaram a 116,8% ao ano, 13,4 pontos percentuais acima do registrado em 2024. Para o crédito direcionado a famílias, que inclui principalmente habitação e rural, o custo ficou em 11,2% ao ano, elevação de 1 ponto percentual.
Condições para empresas
Entre as empresas, o juro médio no crédito livre avançou 3,3 pontos percentuais, alcançando 25% ao ano. Destaque para capital de giro de prazo até 365 dias, cuja taxa passou para 50,3% ao ano (30,6 p.p. de aumento), e para o cheque especial, que atingiu 355,7% ao ano (alta de 24,7 p.p.). No crédito direcionado às companhias, a média permaneceu em 12,2% ao ano.
Selic sustenta movimento
A ampliação dos custos acompanha a trajetória da Selic, mantida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária. É o maior patamar desde julho de 2006, utilizado pelo BC como ferramenta de controle da inflação. O spread bancário – diferença entre o custo de captação das instituições e os juros cobrados dos clientes – subiu 3,9 pontos percentuais, chegando a 21,4 pontos.
Concessões e inadimplência
As concessões de crédito totalizaram R$ 786,4 bilhões em 2025, crescimento de 9,1% que representa desaceleração frente aos 15,5% de 2024. O estoque de operações chegou a R$ 7,122 trilhões, expansão de 10,2% – ritmo menor que o de 11,5% no ano anterior.
Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
A inadimplência acima de 90 dias alcançou 4,1% em dezembro, alta de 1,1 ponto percentual. Nas famílias, a taxa subiu 1,5 p.p., para 5%; nas empresas, ficou em 2,5% (avanço de 0,5 p.p.).
Endividamento das famílias
Em novembro, o endividamento das famílias correspondeu a 49,8% da renda acumulada em 12 meses, 1,5 p.p. acima de igual mês de 2024. Desconsiderando financiamento imobiliário, a relação ficou em 31,3%. O comprometimento da renda com o pagamento de dívidas manteve-se estável em 29,3%, mas subiu 2,2 p.p. em 12 meses.
Para entender como organizar o orçamento em um cenário de juros elevados, veja nossas dicas de finanças pessoais.
O acompanhamento periódico das condições de crédito ajuda consumidores e empresas a planejar melhor suas finanças e evitar custos excessivos.
Com informações de Agência Brasil

