A taxa média do crédito rotativo chegou a 438% ao ano em dezembro de 2025, informou o Banco Central. No mesmo mês, a inadimplência nessa modalidade alcançou 64,7%, maior patamar desde o início da série histórica, em 2011.
O aperto ocorre apesar de indicadores positivos do mercado de trabalho. A taxa de desemprego encerrou 2025 em 5,6%, a menor desde 2012, enquanto a renda média real avançou 5,7%, atingindo R$ 3.560. Mesmo assim, o ritmo de expansão do crédito superou o aumento da renda, comprometendo o orçamento das famílias.
Limites maiores, dívida crescente
Segundo o BC, o salto nos juros acompanha a ampliação dos limites oferecidos pelas instituições financeiras. Consumidores que antes dispunham de R$ 2 mil no cartão passaram a contar com até R$ 5 mil. O plástico se transformou em extensão do salário, sustentado pela expectativa de emprego contínuo.
No entanto, os juros compostos avançam mais rápido que o ganho de renda. Quando a fatura não é quitada integralmente, o débito se converte em bola de neve. Com a taxa atual, uma dívida de R$ 1.000 pode chegar a aproximadamente R$ 5.530 em 12 meses.
Comparação com outras linhas de crédito
A distorção fica evidente diante de outras modalidades. O parcelado no cartão fechou 2025 com custo médio de 189% ao ano, enquanto o cheque especial registrou 138,6%. Mesmo assim, o rotativo permanece no topo do ranking de juros do Banco Central.
Cenário econômico e expectativa para 2026
O Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) apontou crescimento de 2,4% em 12 meses até novembro, mas o Boletim Focus projeta expansão mais modesta, de 1,8%, para 2026. A inflação, que terminou 2025 em 4,26%, pode ceder ao longo deste ano, o que tenderia a aliviar a pressão sobre os orçamentos e, consequentemente, sobre a inadimplência.
A metodologia do IBGE considera ocupada qualquer pessoa que tenha trabalhado pelo menos uma hora na semana de referência, critério que pode mascarar rendas irregulares e reforçar o uso do crédito como complemento salarial.

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Com juros em patamares recordes, o comportamento dessas taxas será determinante para definir se o sistema financeiro se ajustará de forma gradual ou se um novo ciclo de endividamento ganhará força em 2026.
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Resumo: Juros do rotativo atingem 438% ao ano, inadimplência sobe para 64,7% e, mesmo com desemprego em queda, o aumento dos limites do cartão pressiona o orçamento das famílias. Continue acompanhando nossos conteúdos e fique por dentro das próximas atualizações.
Com informações de Economic News Brasil



