Juros do rotativo e do cheque especial impulsionam recorde de inadimplência das famílias

O percentual de famílias brasileiras com contas em atraso atingiu 5% ao fim de 2025, o índice mais elevado desde 2012, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC). O avanço da inadimplência é atribuído, principalmente, aos juros cobrados no crédito rotativo do cartão e no cheque especial, considerados os mais altos do mercado.

Segundo o BC, mesmo após a redução do custo do rotativo em 2025, essa continua sendo a modalidade de endividamento mais cara do país. Já o cheque especial registrou aumento de custo e encerrou o ano passado com taxa de 138% ao ano.

Empréstimos crescem apesar dos juros elevados

O levantamento mostra que consumidores e empresas recorreram com frequência a financiamentos e empréstimos em 2025. A taxa média cobrada pelos bancos em operações de crédito subiu 6,5 pontos percentuais no período, passando de 40,7% em dezembro de 2024 para 47,2% no fim de 2025.

Como consequência, o estoque total de crédito — soma de tudo o que é devido às instituições financeiras — alcançou R$ 4,8 trilhões, alta de quase 12% em doze meses.

Comprometimento de renda se aproxima de 50%

O relatório do BC indica que, em novembro, o comprometimento da renda familiar com dívidas chegou a aproximadamente 50% dos ganhos mensais, patamar que pressiona o orçamento doméstico. Na média dos últimos 12 meses, o índice ficou em 29,3%.

Cresce o uso do crédito consignado

O crédito consignado foi a linha que mais avançou em 2025, com expansão de 90,9%. A autarquia atribui esse movimento à Medida Provisória que entrou em vigor em março do ano passado, permitindo a contratação digital do consignado com garantia de até 10% do saldo do FGTS.

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Para o diretor da Mix Fiscal e especialista em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Fabrício Tonegutti, o cenário é preocupante porque não há garantia de que o consignado esteja sendo utilizado para quitar dívidas mais caras, o que seria a aplicação mais recomendada desse recurso.

“Deixar de pagar o cartão ou extrapolar o limite da conta corrente é, na prática, contratar um empréstimo com juros muito elevados”, alertou Tonegutti, ao lembrar que o endividamento elevado compromete o futuro financeiro das famílias.

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Com informações de Terra