O Nubank registrou lucro líquido de US$ 871 milhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 41% em relação ao ano anterior, porém abaixo da expectativa média de US$ 980 milhões; mesmo com o recuo das ações na bolsa, bancos de investimento mantêm recomendação de compra e projetam potencial de valorização superior a 80%.
Resultados financeiros do 1T26 sinalizam expansão robusta
O banco digital encerrou o período com receita sustentada por expansão de carteira e avanço de margens. A carteira de crédito total alcançou US$ 37,2 bilhões, alta de 40% na comparação anual, o que impulsionou as linhas de juros e tarifas. Em contrapartida, a aceleração do crédito demandou reforço de provisões. A despesa de perdas esperadas cresceu 38% ante o trimestre anterior, ficando aproximadamente 30% acima do consenso de mercado.
No quesito eficiência, o Nubank demonstrou controle operacional. Relatórios de Safra, Itaú BBA e Bradesco BBI destacaram expansão da margem financeira e receitas de serviços, fatores que contribuíram para mitigar o impacto das provisões sobre o resultado final. Mesmo assim, o lucro reportado ficou aquém das projeções coletadas por agências de dados, o que desencadeou sell-off nas sessões subsequentes.
Inadimplência e provisões ganham peso no diagnóstico de risco
A elevação da inadimplência foi o ponto de maior sensibilidade. O índice de atraso superior a 90 dias subiu de 4,1% para 5,0% no trimestre, refletindo o ambiente macroeconômico mais restritivo, pressões de juros e efeitos sazonais de início de ano. O diretor financeiro, Guilherme Lago, atribuiu o fenômeno principalmente a fatores de sazonalidade, reforçando que não houve deterioração estrutural da qualidade de ativos.
Analistas do Safra argumentaram que o movimento de provisão se manteve alinhado ao histórico quando comparado à evolução dos Estágios 2 e 3 da carteira. Em nota, a casa alertou que avaliar somente os créditos inadimplentes (NPLs) pode distorcer a leitura, pois a métrica de perdas esperadas (ECLs) sugere comportamento dentro do padrão projetado.
A XP Investimentos reproduziu diagnóstico semelhante: apesar da piora pontual, a qualidade do crédito permanece “estruturalmente sólida”, sustentada por políticas prudenciais adotadas desde o IPO. O Itaú BBA, por sua vez, apontou que o banco inicia o ano com “excelente colchão de provisões” para sustentar o crescimento vislumbrado no restante de 2026.
Reação do mercado: volatilidade de curto prazo versus tese de longo prazo
Após a divulgação do balanço, as ações NU acumulam desvalorização de 14,7% em Nova York e os BDRs ROXO34 recuam 11,72% na B3. Relatórios de BTG Pactual, Citi, Safra, XP e Itaú BBA convergem ao apontar que o sell-off não reflete, na mesma magnitude, a qualidade dos números apresentados.
O BTG Pactual questionou se parte do fluxo vendedor ocorre “no impulso”, fenômeno observado em outros bancos listados, e reiterou que o case de crescimento regional, além da expansão para os Estados Unidos, sustenta horizonte de ganhos acima da média do setor. O banco traçou parâmetro de valuation em torno de 10 vezes o lucro por ação estimado para 2027, abaixo das 12,2 vezes calculadas pelo próprio BTG, o que indicaria desconto atrativo.

As casas de análise apresentam as seguintes recomendações e preços-alvo para os próximos 12 meses:
- XP: preço-alvo de US$ 21 (potencial de +75%)
- BTG: preço-alvo de US$ 22 (potencial de +83,3%)
- Citi: preço-alvo de US$ 22 (potencial de +83,3%)
- Safra: preço-alvo de US$ 22 (potencial de +83,3%)
- Itaú BBA: preço-alvo de US$ 20 (potencial de +66,7%)
Embora o curto prazo permaneça suscetível a oscilações, o conjunto de relatórios reforça que o upside médio supera 70% frente à cotação corrente, sustentado por crescimento de receita, rentabilidade e diversificação geográfica.
Agenda estratégica: expansão internacional e disciplina de capital
O plano de crescimento fora do Brasil segue como pilar central da tese de investimento. A administração pretende limitar as alocações nos Estados Unidos a menos de 100 pontos-base do índice de eficiência consolidado em 2026 e 2027, avançando de forma gradual. Segundo o BTG, a divergência de percepção entre investidores locais e estrangeiros sobre a entrada no mercado norte-americano representa variável crítica para a precificação futura do papel.
Apesar da cautela, a combinação de crescimento orgânico na América Latina, receita recorrente de serviços financeiros e melhora progressiva do ambiente macro doméstico compõe cenário de sustentação do lucro. A manutenção de política conservadora de provisões figura, nas avaliações dos analistas, como amortecedor relevante contra oscilações de risco.
Conclusão técnica
O balanço do primeiro trimestre de 2026 evidenciou simultaneamente resiliência operacional e pressão de risco de crédito. Embora o lucro tenha avançado 41%, a subida da inadimplência para 5% e o reforço de provisões impactaram a percepção de risco no curto prazo, resultando em queda expressiva das cotações. Ainda assim, as principais instituições de pesquisa reiteram recomendação de compra, sustentadas por fundamentos de crescimento, disciplina de capital e múltiplos que já precificam parte das incertezas macroeconômicas. O monitoramento dos indicadores de qualidade de crédito e da execução da expansão internacional será determinante para confirmar ou revisar as projeções de valorização para os próximos trimestres.



