Lula afirma estar “estarrecido” com o aumento da violência contra mulheres no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, nesta segunda-feira (8), estar “estarrecido” com a quantidade de casos de violência contra as mulheres registrados no Brasil. A afirmação foi feita durante a 14ª Conferência Nacional de Assistência Social, em Brasília.

No discurso, Lula ressaltou que a violência de gênero “só tem um lado, o masculino”, classificando o problema como histórico e denunciando a necessidade de mudança de comportamento por parte dos homens. “Quem tem que mudar são os homens”, reforçou.

As declarações ocorreram após uma sequência de feminicídios que ganharam repercussão nacional e motivaram protestos em várias capitais no domingo (7). Organizações de defesa dos direitos das mulheres realizaram atos para exigir medidas mais efetivas contra agressões. Em São Paulo, a Secretaria de Segurança Pública registrou 53 homicídios de mulheres classificados como feminicídio entre janeiro e outubro deste ano.

Lula relembrou o episódio em que a primeira-dama, Janja da Silva, chorou ao tomar conhecimento de recentes crimes contra mulheres. Segundo o presidente, combater o feminicídio é “responsabilidade dos homens” e deve começar pela educação. “Nós vamos ter que aprender na escola, educar nossos filhos”, disse.

Ao citar o caso de um homem que desferiu mais de 60 socos na esposa dentro de um elevador em Natal (RN), Lula afirmou que “nenhuma punição é suficiente” para atos dessa gravidade e classificou a situação como reflexo de um problema “evidentemente educacional”.

Na semana passada, durante agenda em Pernambuco, o presidente já havia anunciado a intenção de liderar um movimento nacional de combate à violência contra a mulher. Detalhes da iniciativa ainda não foram divulgados, mas Lula afirmou que o tema será compromisso permanente de seu governo.

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Imagem: Bruno Peres/Agência Brasil via valor.globo.com

Ele concluiu o pronunciamento reforçando a urgência de políticas públicas de proteção e a necessidade de mudança cultural. “Não é normal o grau de violência, o assédio, a provocação. Não pode acontecer”, declarou.

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Com informações de Valor Econômico