Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (MALBA) iniciará, ainda em fase de projeto, uma expansão subterrânea sob a Plaza Perú, com previsão de conclusão entre o fim de 2029 e o início de 2030, enquanto estabelece um fundo patrimonial de US$ 50 milhões destinado a garantir a operação da instituição no longo prazo.
Plano de expansão preserva o espaço público
O empreendimento acrescentará áreas expositivas, auditório, ambientes multiuso, oficinas, depósitos e escritórios sem alterar o traçado visível da Plaza Perú. A opção por descer ao subsolo responde à necessidade de 3 840 m² adicionais discutida desde 2011, evitando impactos na paisagem urbana e mantendo a praça acessível à população.
Segundo a proposta preliminar, um pátio externo integrado vai conectar a estrutura existente às novas galerias, permitindo fluxos independentes de visitantes para cinema, literatura e programas educativos mesmo fora do horário regular de funcionamento do museu.
Arquitetura conduzida pelo Taller Frida Escobedo
A intervenção será assinada pelo Taller Frida Escobedo, escritório com sedes na Cidade do México e em Nova York, reconhecido por projetos que conciliam patrimônio e inovação. A arquiteta mexicana ressaltou que o objetivo é “criar novas conexões entre os programas que fizeram do MALBA o que é hoje”, enfatizando o caráter transformador da obra.
O desenho inclui soluções de circulação vertical, controle climático subterrâneo e iluminação cenográfica para preservar peças sensíveis. Detalhes de materiais e acabamentos seguem em desenvolvimento, mas a diretoria antecipa a adoção de pavimentos de baixa emissão de carbono e sistemas de captação de água pluvial para uso interno.
Fundo patrimonial assegura sustentabilidade financeira
Em paralelo à obra física, o fundador Eduardo F. Costantini constituiu o MALBA Art Trust com capital inicial de US$ 50 milhões. A reserva funcionará como endowment, rendendo recursos para manutenção de exposições, conservação do acervo e expansão de programas educativos.

O valor não cobre o investimento total da construção — montante que permanece sob análise orçamentária —, mas abre caminho para a captação de patrocinadores internacionais convidados a aportar verbas adicionais. A estratégia busca reduzir a dependência direta do colecionador e fortalecer a governança institucional.
Reforço do acervo com a Coleção Daros Latinamerica
Costantini doou ao museu a Coleção Daros Latinamerica, composta por 1 200 obras de artistas como Frida Kahlo, Diego Rivera, Leonora Carrington, Remedios Varo e Wifredo Lam. Somadas a outras 17 peças modernas latino-americanas, as incorporações elevam o conjunto reunido entre museu e fundador para aproximadamente 3 000 itens.
A transferência consolida o MALBA como um dos principais polos de arte latino-americana no continente, atraindo público estrangeiro, em especial visitantes brasileiros que buscam obras emblemáticas como Abaporu (1928), de Tarsila do Amaral, atualmente fora de exibição, porém mantida no acervo permanente.
Conclusão Técnica
Com a combinação de expansão subterrânea, fundo patrimonial robusto e enriquecimento do acervo, o MALBA se posiciona para atender demandas de público crescente e de preservação museológica até a próxima década. O cronograma prevê finalização do projeto executivo em 2027, início das escavações em 2028 e abertura gradativa das novas áreas entre o fim de 2029 e o início de 2030. Enquanto aguarda definições orçamentárias finais e a captação de cotas de patrocínio, a instituição mantém programação regular e planejamento de exposições temporárias, integrando gradualmente as recentes aquisições ao circuito expositivo.



