Amorim diz que mediação brasileira após ataque dos EUA à Venezuela depende da vontade de Washington e Caracas

Brasília — O assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, afirmou neste sábado (3) que qualquer iniciativa de mediação do Brasil entre Estados Unidos e Venezuela dependerá do interesse dos dois países diretamente envolvidos. A declaração foi dada após o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar nas redes sociais que forças dos EUA bombardearam a Venezuela durante a madrugada, capturaram o presidente Nicolás Maduro e o levaram, junto com a primeira-dama, para Nova York.

O Palácio do Planalto divulgou nota em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condena a ação militar e coloca o Brasil à disposição para facilitar o diálogo. Amorim ressaltou que a oferta só avançará se houver sinalização positiva de Washington e de Caracas.

Reunião de emergência

Enquanto Amorim retornava à capital federal — ele desembarca na noite deste sábado —, o governo brasileiro realizou reunião de emergência para discutir medidas de proteção à fronteira e à comunidade de cerca de 20 mil brasileiros que vivem em território venezuelano. O ministro da Defesa, José Múcio, foi o único titular presente fisicamente. Lula participou por videoconferência a partir da Restinga de Marambaia (RJ).

O Itamaraty foi representado pela secretária-geral Maria Laura Rocha, pois o chanceler Mauro Vieira encontrava-se em trânsito. A Casa Civil foi representada pela secretária-executiva Mirian Belchior.

Relação com Caracas

Amorim acompanhou in loco as eleições venezuelanas de maio de 2025, cujo resultado o Brasil não reconheceu por falta de atas oficiais. Desde então, o assessor não mantém diálogo com o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, que chegou a sugerir que ele fosse declarado persona non grata. Hoje, a principal fonte de informações do governo brasileiro sobre a situação em Caracas é a embaixadora Glivânia de Oliveira.

Questionado sobre a sucessão em Caracas, Amorim disse considerar “provável” que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma o comando do país, mas evitou prognósticos. Ele classificou como “remota” a possibilidade de Edmundo González, principal candidato da oposição nas eleições de 2025 e atualmente exilado em Madri, vir a assumir o poder.

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Amorim afirmou ainda que acompanhava a escalada de tensões, mas não imaginava um ataque militar norte-americano. Segundo ele, novas diretrizes para a política externa brasileira serão discutidas quando Lula e o chanceler Mauro Vieira voltarem a Brasília.

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Com informações de Valor Econômico