Apenas 40% dos pedidos de residência em Portugal são aprovados, indica balanço de 2025

A política de imigração portuguesa terminou 2025 com um índice de aprovação inferior à metade dos pedidos de autorização de residência. Levantamento baseado em dados oficiais mostra que a Agência para Integração, Migrações e Asilo (AIMA) analisou 763.509 dos 900 mil processos pendentes e concedeu 311.316 títulos, o que representa 40,11% dos requerimentos.

Mesmo com a baixa taxa de deferimentos, o atendimento gerou 62 milhões de euros em receitas para o Estado, provenientes de impostos e taxas administrativas. Paralelamente, a Estrutura de Missão criada para acelerar os processos foi extinta, mantendo-se apenas um posto de atendimento presencial, localizado no Porto.

Atrasos e impacto nos reagrupamentos

Os atrasos atingem principalmente famílias à espera de reagrupamento. Alguns requerentes pagaram taxas desde 2022 e, apesar da promessa de agendamento em até 15 dias, ainda não foram chamados. Jovens que completam 18 anos no país sem residência regular relatam dificuldade para trabalhar, ingressar em cursos profissionais ou pagar a mensalidade mais alta cobrada a estudantes estrangeiros nas universidades portuguesas.

Comunicações sem efeito

Em setembro de 2025, milhares de solicitantes receberam e-mails informando que seus processos estavam deferidos e que os cartões chegariam no mês seguinte. A entrega, contudo, não se concretizou, o que levou parte dos imigrantes a adiar ações judiciais na expectativa de resolução administrativa.

Fluxo migratório em reversão

Informações do Banco de Portugal apontam perda de 40% na arrecadação de impostos pagos por imigrantes, reflexo da saída de trabalhadores estrangeiros diante da demora na regularização. Ao mesmo tempo, cerca de 70 mil portugueses deixam o país anualmente, mantendo o saldo migratório negativo.

O cenário afeta também investidores do programa golden visa. Embora aportes de aproximadamente 7 bilhões de euros tenham sido feitos, candidatos aguardam em média três anos para a primeira entrevista. Esse período não conta para o tempo mínimo de residência exigido para requerer a nacionalidade, que pode chegar de 10 a 14 anos em alguns casos.

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Imagem: Fábio Pelinson via dnbrasil.dn.pt

Com a hostilidade relatada por parte de setores políticos e o prolongado tempo de espera, profissionais qualificados e estudantes têm buscado alternativas em países como Bélgica, Holanda, França, Itália, Luxemburgo e Alemanha.

Para acompanhar análises sobre como as mudanças migratórias afetam a economia, visite a seção de Economia do nosso site.

Resumo: De 900 mil pedidos de residência pendentes em Portugal, 763.509 foram analisados em 2025 e pouco mais de 40% aprovados. A demora afeta reagrupamentos familiares, estudantes e investidores, provoca perda de arrecadação e contribui para a saída de imigrantes qualificados.

Com informações de Diário de Notícias

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