A divulgação de que promotores dos Estados Unidos pretendem apresentar denúncia criminal contra o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, provocou apenas oscilações moderadas nos principais índices financeiros nesta terça-feira (18). A resposta relativamente limitada dos investidores foi observada mesmo após Powell reagir publicamente, pela primeira vez, às ameaças do ex-presidente Donald Trump de interferir na condução da política monetária norte-americana.
Segundo o comunicado dos promotores, ainda sem detalhes sobre as acusações, a ação judicial deve ser formalizada nos próximos dias. Em nota separada, Powell classificou a iniciativa como uma tentativa de intimidar a autoridade monetária e ressaltou que a independência do Fed “não é negociável”.
O confronto ganhou novos contornos após Trump, pré-candidato à Casa Branca, reiterar que “assumiria o controle” das decisões sobre juros caso volte ao poder. A declaração levou o presidente do Fed a reforçar que os mandatos do banco central norte-americano são definidos por lei e que qualquer interferência política colocaria em risco a credibilidade da instituição.
Apesar da gravidade dos acontecimentos, a reação em Wall Street foi discreta. Operadores relataram volumes abaixo da média e leves ajustes nos contratos futuros de ações e nos títulos do Tesouro, sinalizando cautela, mas não pânico.
Powell segue à frente do Fed com mandato até 2028, nomeado originalmente em 2018 e reconduzido em 2022. A indicação de um processo criminal, contudo, adiciona um componente de incerteza sobre a liderança da autoridade monetária em um momento de transição na política de juros dos EUA.
O Departamento de Justiça não informou quando apresentará a queixa formal, nem quais funcionários devem ser convocados para depor. Já a defesa de Powell afirmou que o presidente do Fed “cooperará integralmente” e espera que as acusações sejam “prontamente rejeitadas”.
Imagem: valor.globo.com
As próximas sessões devem indicar se o mercado continuará minimizando o embate ou se a perspectiva de intervenção política voltará a pressionar ativos de risco.
Com informações de Valor Econômico
Para acompanhar outros movimentos que podem mexer com o bolso do investidor, confira também nossa seção de Economia e mantenha-se atualizado sobre os próximos desdobramentos.



