Filas que chegam a sete horas têm marcado a recepção de viajantes vindos de fora do espaço Schengen no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. O cenário, recorrente segundo entidades do setor, afeta diretamente a imagem de Portugal como destino turístico, um dos pilares da economia nacional.
O atraso no controle de fronteiras transforma a primeira impressão de quem desembarca, especialmente de mercados estratégicos como o Brasil, em experiência negativa. Para muitos, o desembarque ocorre após longos voos intercontinentais, e a longa espera contradiz o discurso oficial de um país moderno e acolhedor.
Impacto econômico e concorrência internacional
O prolongado tempo de espera não afeta apenas o conforto dos passageiros. Operadores turísticos e companhias aéreas avaliam a situação como ameaça à competitividade portuguesa. A Iberia, por exemplo, tem ampliado sua oferta de voos entre Brasil e Madri, aproveitando o processo de imigração mais ágil na capital espanhola. Com isso, Madri tem sido escolhida por viajantes e empresas como principal porta de entrada na Europa, relegando Lisboa a segundo plano.
Cada turista que opta por outro hub significa receitas perdidas para hotéis, restaurantes e comércio locais, além de reduzir a projeção internacional de Portugal como destino de negócios e lazer.
Solução só em 2028
Apesar de anos de denúncias sobre a lentidão no desembarque, medidas definitivas — como aumento de efetivo policial, investimento em tecnologia e reorganização operacional — estão previstas para serem concluídas apenas em 2028, conforme noticiado por órgãos de imprensa portugueses. Até lá, milhões de passageiros podem continuar enfrentando o mesmo problema.
Aeroporto como cartão de visita
Especialistas lembram que terminais aéreos funcionam como cartões de visita de um país. Experiências bem-sucedidas em outras nações demonstram que planejamento, tecnologia e gestão eficiente reduzem atrasos e melhoram a percepção dos visitantes. Em Portugal, porém, a falta de decisões rápidas e a dispersão de responsabilidades têm adiado soluções, dizem fontes do setor.
Durante a pandemia de COVID-19, o país mostrou capacidade de execução ao organizar rapidamente a logística da vacinação. Profissionais de turismo afirmam que o mesmo senso de urgência precisa ser aplicado ao principal aeroporto nacional.

Imagem: publico.pt
Enquanto o impasse persiste, companhias aéreas e turistas seguem avaliando alternativas. Se a espera de várias horas na imigração continuar, a tendência é que outros aeroportos europeus ampliem sua vantagem competitiva.
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Com informações de Público


