Petrobras registra lucro de R$ 32,6 bi no 1T26 e aprova R$ 9,03 bi em dividendos em meio à escalada do petróleo

A Petrobras reportou lucro líquido de R$ 32,663 bilhões no primeiro trimestre de 2026 e anunciou a distribuição de R$ 9,03 bilhões em dividendos, resultado impulsionado pela valorização internacional do petróleo Brent e por aumento de 3,7 % na produção de óleo e gás.

Resultados financeiros superam consenso de mercado

A divulgação ocorreu após o encerramento do pregão de 11 de maio. O lucro líquido de R$ 32,663 bilhões representou alta de 109,9 % em relação ao quarto trimestre de 2025, superando a estimativa compilada pela Bloomberg de R$ 30,684 bilhões. Na comparação anual, houve retração de 7,2 %, reflexo do nível excepcionalmente elevado de preços e margens no início de 2025.

A receita de vendas totalizou R$ 123,686 bilhões, avanço de 0,4 % sobre igual período do ano anterior e queda de 2,9 % na margem trimestral. O Ebitda ajustado atingiu R$ 59,643 bilhões, recuo de 2,4 % ano a ano e de 0,5 % ante o trimestre precedente, sinalizando estabilidade operacional apesar das oscilações cambiais.

Escalada do Brent e desempenho operacional sustentam margens

O preço médio do petróleo Brent foi de US$ 80,61 por barril no trimestre, incremento de 26,6 % na comparação sequencial e de 6,5 % em base anual. O aumento decorreu, sobretudo, da intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio a partir do fim de fevereiro, que elevou o prêmio de risco da commodity.

Paralelamente, a produção total de óleo e gás cresceu 3,7 % em relação ao 4T25, refletindo a entrada em operação de novos poços no pré-sal. A companhia salientou que a apreciação do real frente ao dólar mitigou parcialmente o impacto da alta do Brent sobre as receitas denominadas em moeda local.

A administração ressaltou que o repasse integral dos preços internacionais para o caixa ocorrerá no segundo trimestre, quando as exportações capturarão o intervalo completo de preços pós-conflito.

Endividamento e investimentos mantêm trajetória de expansão

A dívida líquida encerrou março em US$ 62,093 bilhões, avanço de 10,8 % em doze meses e de 2,5 % na variação trimestral. O indicador permaneceu dentro do limite interno de alavancagem, apoiado nos fluxos de caixa robustos.

Os investimentos (capex) somaram US$ 5,107 bilhões entre janeiro e março, incremento anual de 25,6 %. A redução de 19,1 % face ao 4T25 relaciona-se sobretudo ao perfil de desembolsos em projetos de desenvolvimento da produção, tradicionalmente mais concentrados no final do exercício.

Segundo o diretor financeiro, Fernando Melgarejo, a expansão do capex “está se convertendo em crescimento da produção”, reforçando a execução da estratégia focada na rentabilidade do portfólio de ativos de exploração e produção.

Dividendo trimestral e cronograma de pagamento

Em linha com a política de remuneração aos acionistas, o Conselho de Administração aprovou a distribuição de R$ 9,03 bilhões em proventos relativos ao 1T26, equivalentes a R$ 0,70097272 por ação ordinária e preferencial.

A data de corte para os papéis negociados na B3 foi estabelecida em 1º de julho de 2026, com negociação ex-direitos a partir de 2 de julho. O pagamento ocorrerá em duas parcelas, ambas classificadas como juros sobre capital próprio (JCP):

  • 20 de agosto de 2026 – R$ 0,35048636 por ação;
  • 21 de setembro de 2026 – R$ 0,35048636 por ação.

Para os American Depositary Receipts (ADRs) listados na Nyse, o corte será em 3 de junho, com créditos previstos para 27 de agosto e 28 de setembro, respectivamente.

Os valores serão deduzidos da remuneração a ser referendada na Assembleia Geral Ordinária de 2027, reajustados pela Selic entre a data de cada pagamento e o encerramento do exercício social.

Conclusão técnica

O primeiro trimestre de 2026 evidenciou a capacidade da Petrobras de capturar a combinação de patamar crescente do Brent e eficiência operacional, resultando em lucro líquido acima do consenso. A manutenção de investimentos robustos, aliada à disciplina financeira que preserva o nível de alavancagem, sustenta a estratégia de crescimento de produção no pré-sal. No âmbito da remuneração, o dividendo aprovado reforça o compromisso com a geração de valor ao acionista e deverá influenciar o fluxo de fundos para a ação no curto prazo, especialmente à medida que o mercado precifica a alta do petróleo nos resultados do segundo trimestre.