Turilândia (MA) – Um áudio interceptado pelo Ministério Público do Maranhão (MP-MA) mostra o prefeito de Turilândia, Paulo Curió, que está preso, insatisfeito com o limite de um cartão de crédito fornecido por uma empresa contratada pela prefeitura.
Na gravação, o gestor ironiza o valor disponível: “Dez mil reais não dá pra nada. Isso não é cartão de crédito de prefeito, não. É fraco”, diz Curió ao interlocutor.
Esquema de R$ 56 milhões
A conversa foi reunida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) em uma investigação que aponta desvio de pelo menos R$ 56 milhões dos cofres municipais desde 2021, primeiro ano de mandato de Curió.
No fim de dezembro, o MP-MA deflagrou operação que prendeu 21 pessoas: o prefeito, a primeira-dama Eva Curió, a ex-vice-prefeita Janaína Soares Lima e os 11 vereadores da cidade. Também foram detidos servidores e empresários ligados aos contratos investigados.
Licitações sob suspeita
De acordo com o promotor Fernando Berniz, 95% das licitações em Turilândia eram fraudadas. A pregoeira do município foi gravada cobrando presentes após combinar o fracasso proposital de uma concorrência para construção de estrada vicinal.
Empresários recebiam até 18% do valor de contratos não executados, relatou o MP. Três por cento ficariam com o ex-controlador geral Wandson Barros, apontado como operador financeiro, e o restante retornaria ao prefeito.
Propina a vereadores
Em outro áudio, Paulo Curió menciona “sobra mensal” entre R$ 2 milhões e R$ 2,5 milhões. Valor semelhante, segundo o Ministério Público, teria sido distribuído aos vereadores – cerca de R$ 2,3 milhões – para inibir qualquer fiscalização.
Abastecimento fictício
A investigação começou em um posto de combustíveis pertencente à ex-vice-prefeita e ao marido. O estabelecimento firmou 58 contratos e recebeu mais de R$ 17 milhões. Pelas notas fiscais, cada um dos dez veículos oficiais poderia ter rodado 790 quilômetros por dia, trajeto equivalente a uma viagem diária de ida e volta entre São Luís e Porto Alegre.

Imagem: um preso via g1.globo.com
Patrimônio e dinheiro em espécie
Durante a operação, a polícia encontrou grandes quantias em espécie e imóveis de alto padrão ligados ao casal Curió, incluindo uma casa em São Luís avaliada em R$ 3,7 milhões. Segundo o MP-MA, a compra foi financiada por um neurocirurgião que atua como agiota.
Administração esvaziada
No primeiro dia útil de 2026, a sede da prefeitura funcionava praticamente vazia. Sem prefeito, vice e Câmara em exercício, a Justiça determinou que os vereadores despachem em prisão domiciliar, podendo se reunir apenas para votações urgentes.
Defesas
A defesa de Paulo Curió e de Eva Curió declarou que ambos estão à disposição para esclarecimentos e confiam nas garantias constitucionais. O advogado de Wandson Barros afirma que a análise imparcial dos fatos comprovará a inocência do ex-controlador. Os demais envolvidos não comentaram.
Para entender como irregularidades públicas impactam as finanças locais, visite nossa seção de Economia.
O caso expõe a dimensão dos desvios em Turilândia e mantém a administração municipal sob intervenção judicial enquanto as investigações prosseguem.
Com informações de G1



