Brasília – Promessas de rentabilidade muito acima do mercado acenderam o alerta no Banco Central (BC) e culminaram na liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, e do grupo Will Bank, na última quarta-feira (21). As duas instituições ofereciam certificados de depósito bancário (CDBs) com percentuais que superavam em larga escala o CDI, indicador de referência para esse tipo de investimento.
Banco Master: 140% do CDI em um banco de pequeno porte
Em 2024, o Banco Master passou a divulgar CDBs que rendiam até 140% do CDI. O atrativo serviu para captar investidores, mas contrastava com o porte da instituição: segundo o BC, o conglomerado detinha apenas 0,57% dos ativos e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Com a dependência crescente desse formato de captação, o BC determinou a suspensão das ofertas e exigiu reforço imediato de capital. As exigências não foram totalmente atendidas e os problemas de liquidez se agravaram, levando à liquidação extrajudicial em novembro de 2025. A Polícia Federal apura agora possíveis fraudes na operação, em investigação apontada como uma das maiores do setor bancário brasileiro.
Will Bank: promessa de até 230% do CDI
Adquirido pelo Master, o Will Bank era voltado às classes C, D e E e apostava em volume para diluir o risco de inadimplência. Para expandir a base de clientes, passou a anunciar CDBs que chegavam a 230% do CDI, limitados a R$ 1.500 por CPF e prazo de três meses.
Um relatório do BTG Pactual indicava que a fintech possuía 408 mil clientes em 2021; em 2024, quando a operação foi comprada pelo Master, esse número saltou para 6 milhões. Mesmo antes da liquidação, o BC já havia observado que os retornos prometidos estavam acima da capacidade financeira do grupo.
Liquidação e impacto para o FGC
O gatilho final ocorreu na segunda-feira (19), quando o regulador identificou descumprimento do acordo entre o Will Bank e a bandeira Mastercard. Dois dias depois, toda a estrutura do grupo entrou em liquidação.
Dados do IFData, do BC, mostram que o Will Bank mantinha R$ 6,5 bilhões em CDBs e R$ 7 bilhões em depósitos à vista e a prazo. Desse total, estima-se que apenas R$ 5 bilhões estejam cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Imagem: timesbrasil.com.br
Considerando também os prejuízos deixados pelo Banco Master, o FGC poderá ser chamado a desembolsar ao menos R$ 46 bilhões em ressarcimentos, valor que ainda não cobre todos os compromissos.
Com a liquidação das duas instituições, correntistas e investidores devem acionar o FGC para solicitar a restituição dentro dos limites previstos.
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Com informações de Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC



