A Geração Z está acumulando dívidas de cartão de crédito em ritmo inédito nos Estados Unidos, segundo o CEO da Intuit, Sasan Goodarzi. O executivo afirmou, durante o evento Fortune Brainstorm AI, na semana passada, que os saldos dessa faixa etária avançaram entre 36% e 37% nos últimos meses, superando todos os registros anteriores.
Goodarzi, que comanda a empresa de tecnologia financeira responsável por marcas como TurboTax, QuickBooks e Credit Karma, declarou que a combinação de inflação elevada e menor acesso ao crédito tem pressionado especialmente os consumidores mais jovens. “As pontuações de crédito estão nos níveis mais baixos já observados, em particular entre a Geração Z”, observou.
Empregos amenizam o impacto
Apesar do aumento expressivo da dívida, o CEO destacou um fator positivo: a maior parte dos integrantes da Geração Z permanece empregada, o que ajuda a manter em dia parte dos pagamentos. “Eles ainda têm trabalho, e isso é o que realmente está segurando as pontas”, disse.
Renda não acompanha o custo de vida
Dados do Pew Research Center publicados em 2024 indicam que, ajustado pela inflação, o salário médio dos nascidos a partir de 1997 supera o de gerações anteriores na mesma idade. No entanto, o poder de compra diminuiu diante da alta persistente dos preços. A inflação básica ficou em 3% em setembro, acima da meta de 2% fixada pelo Federal Reserve, informou o Bureau of Labor Statistics.
Um levantamento da SmartAsset mostra que mais da metade dos jovens adultos ganha menos de US$ 50 mil por ano em boa parte das cidades norte-americanas, valor inferior à renda domiciliar média em 91% desses municípios. Em conjunto, millennials e Geração Z detêm apenas 10,7% da riqueza do país.
Economia em “K” aprofunda desigualdades
Com a elevação dos custos de alimentos e energia, especialistas apontam uma recuperação em formato de “K”, na qual famílias de renda mais alta — proprietárias de ativos financeiros e imobiliários — conseguem preservar patrimônio, enquanto grupos de menor renda, como boa parte da Geração Z, enfrentam perda de poder aquisitivo. Esse cenário tem levado consumidores de todos os perfis a rever hábitos de consumo, segundo Goodarzi. “Todo mundo está atento ao que compra, ao que deixa de comprar e aos preços”, relatou o executivo.

Imagem: Nino Paoli via einvestidor.estadao.com.br
A escalada dos saldos no cartão de crédito ocorre em meio a um mercado de trabalho ainda aquecido, mas com condições mais restritivas de crédito. Enquanto isso, a inflação reduz a margem no orçamento dos mais jovens, que precisam recorrer ao crédito rotativo para cobrir despesas essenciais.
Resumo: Dados da Intuit indicam que a Geração Z viu suas dívidas de cartão de crédito saltarem até 37%, atingindo volume recorde. Embora o emprego permaneça estável, inflação alta, menor poder de compra e pontuações de crédito em queda agravam a situação financeira dos mais jovens. Quer entender como organizar melhor o orçamento e usar o cartão de forma consciente? Confira a seção de Cartão de Crédito do Capital Financeiro.
Com informações de E-Investidor



