Suprema Corte dos EUA questiona ofensiva de Trump para demitir diretora do Fed

Washington, 21 de janeiro de 2026 – A Suprema Corte dos Estados Unidos demonstrou forte reserva, nesta quarta-feira, em relação à tentativa do ex-presidente Donald Trump de destituir a diretora do Federal Reserve (Fed) Lisa Cook, medida sem precedentes que põe em xeque a independência do banco central.

Durante cerca de duas horas de argumentos orais, magistrados de orientações conservadoras e liberais contestaram a solicitação do governo republicano para suspender a decisão de instância inferior que impede a demissão imediata de Cook enquanto o litígio prossegue. O tribunal, composto por maioria conservadora de 6 a 3, já havia concordado em analisar o caso e manteve a economista no cargo até julgamento definitivo.

O advogado-geral D. John Sauer, que representa o governo, foi questionado sobre a ausência de oportunidade para que Cook respondesse às acusações de suposta fraude hipotecária – imputação que a diretora nega. Os ministros também indagaram sobre o impacto econômico de uma possível remoção e sobre o precedente de permitir interferência política direta no Fed, criado em 1913 para atuar com autonomia.

O ministro Samuel Alito classificou o tratamento do caso como “superficial”, destacando que nenhuma instância analisou o mérito das alegações. “Os pedidos de hipoteca sequer constam dos autos”, afirmou. Apesar da crítica, Alito também pressionou a defesa, indagando se atitudes moralmente condenáveis posteriores à posse justificariam afastamento.

Defensor de Cook, o advogado Paul Clement alegou que, na pior hipótese, houve erro involuntário em formulário de hipoteca referente a uma casa de veraneio. Ele sustentou que aceitar a tese do governo converteria os mandatos dos diretores do Fed em empregos “à vontade do presidente”, esvaziando as proteções legais criadas para blindar a autoridade monetária.

O presidente da Corte, John Roberts, mostrou ceticismo diante da ideia de que a alegação presidencial de “justa causa” não possa ser objeto de revisão judicial. O ministro Brett Kavanaugh avaliou que a posição defendida pelo governo “enfraqueceria, se não destruísse, a independência do Federal Reserve”. Já Amy Coney Barrett questionou por que Trump não concedeu a Cook uma audiência para apresentar provas contra ela.

Suprema Corte dos EUA questiona ofensiva de Trump para demitir diretora do Fed - Imagem do artigo original

Imagem: Al Drago via valor.globo.com

Trata-se do mais importante desafio à autonomia do Fed em mais de um século. Nenhum presidente norte-americano havia tentado remover um dirigente do banco central antes. A decisão final da Suprema Corte, ainda sem data, definirá se a Casa Branca pode exigir a saída de um membro do Comitê de Política Monetária sob alegação unilateral de má conduta.

Para acompanhar os próximos passos desse julgamento e outras notícias que movimentam a economia, visite a seção de Economia do Capital Financeiro.

Com informações de Valor Econômico