Norueguesa TOMRA mira Brasil para acelerar economia circular

São Paulo – A multinacional norueguesa TOMRA, especializada em tecnologias de coleta automatizada e triagem de materiais, aposta no Brasil como próximo polo de expansão na América Latina. Em visita ao país no início de fevereiro, a CEO global, Tove Andersen, declarou que avanços regulatórios, como o Decreto do Plástico nº 12.688/2025, tornam o mercado brasileiro estratégico para investimentos em reciclagem e processamento de alimentos.

Regra cria demanda por material reciclado

Publicada em outubro de 2025, a norma estabelece metas graduais de recuperação de embalagens: 30% em 2025, 32% em 2026, 37% em 2030 e 50% em 2040. Também determina a inclusão mínima de conteúdo reciclado pós-consumo (PCR) nas embalagens: 22% a partir de 2026, 30% em 2030 e 40% em 2040. Grandes empresas já devem atender aos percentuais no próximo ano; pequenas e médias terão de se adequar a partir de julho de 2026.

Para Andersen, metas ambiciosas, rastreabilidade e fiscalização são condições básicas para destravar aportes privados. “Quando o resíduo ganha valor, a indústria investe em infraestrutura”, afirmou.

Três frentes de atuação

Presente em cerca de 100 mercados, a TOMRA opera em três divisões:

  • TOMRA Collection – sistemas de depósito e máquinas reverse vending para garrafas e latas;
  • TOMRA Recycling – sensores para separação de plásticos, metais e outros materiais;
  • TOMRA Food – equipamentos ópticos que classificam frutas, vegetais e produtos processados, reduzindo desperdícios.

Metade da receita global vem dos sistemas de depósito, modelo que, segundo a executiva, permite taxas de retorno próximas a 90%. Na Noruega, referência citada por Andersen, mais de 90% das embalagens de bebidas voltam ao ciclo produtivo e as novas garrafas já contêm cerca de 80% de material reciclado.

Desafios brasileiros

No Brasil, o principal gargalo continua sendo a coleta. A recuperação de alumínio é viável economicamente, mas o plástico sofre com a concorrência da resina virgem, cujo preço recuou diante do excedente global. “Muitos custos ambientais ainda não são internalizados; os produtores não pagam pelo impacto de seus resíduos”, observou a CEO.

A TOMRA fornece equipamentos a recicladores locais e cita a futura planta da Ecourbis, em São Paulo, prevista para 2027, que utilizará tecnologia da companhia para separar plásticos e embalagens cartonadas. Na área de alimentos, sensores capazes de analisar até 300 parâmetros por peça ajudam a reduzir perdas em linhas de processamento. “Mais de 30% dos alimentos produzidos no mundo são desperdiçados”, lembrou Andersen.

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Imagem: TOMRA via valor.globo.com

Metas próprias e expansão regional

Alinhada à iniciativa Science Based Targets, a TOMRA pretende utilizar 90% de materiais de origem sustentável em novos equipamentos até 2030. Embora o crescimento imediato deva continuar concentrado na Europa e na América do Norte, Andersen projeta que Brasil e América Latina ganharão relevância no horizonte de cinco a dez anos.

Segundo o diretor comercial da empresa no país, Daniel Ghiringhello, o consumo de energia das máquinas não representa obstáculo relevante: “São basicamente computadores com sensores; o ganho ambiental compensa amplamente o custo elétrico adicional”.

Com o marco regulatório definido e a pressão por reciclagem crescente, a TOMRA enxerga terreno fértil para parcerias e expansão das soluções de economia circular em território nacional.

Com informações de Valor Econômico

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