Universitários brasileiros premiados embarcam para missão de inovação na China

Cinco universitários brasileiros conquistaram uma imersão de dez dias na China após vencerem o Prêmio Na Prática: Protagonismo Universitário 2026; a iniciativa reconhece soluções de alto impacto em saúde, tecnologia assistiva, reciclagem e agronegócio desenvolvidas nas cinco regiões do país.

Premiação destaca soluções baseadas em dados e tecnologia

A edição 2026 do prêmio recebeu milhares de inscrições e selecionou 15 finalistas para uma etapa presencial em São Paulo. Durante a fase de imersão, os candidatos participaram de workshops de liderança, visitas a empresas parceiras e sessões de apresentação de projetos. Ao término da disputa, cinco vencedores regionais garantiram uma viagem com todas as despesas pagas para conhecer polos de robótica, educação e satélites na China. O programa é organizado pela Na Prática, plataforma de carreira vinculada ao ecossistema BTG Pactual.

Segundo Anamaíra Spaggiari, CEO da Na Prática, o contato direto com um dos maiores centros de inovação do mundo amplia o repertório dos participantes e reduz barreiras percebidas por estudantes brasileiros. O roteiro prevê visitas a três empresas chinesas de ponta, além de encontros com executivos e pesquisadores locais.

Conheça os projetos premiados em cada região

Sudeste – João Luís Freitas (28), USP: fundador da Health Data, criou infraestrutura capaz de processar mais de 10 TB de dados anonimizados do DataSUS. A plataforma apoia estudos oncológicos e investiga disparidades raciais em diagnósticos e investimento em tratamentos, com meta de publicação internacional.

Sul – Rafael Meneses (23), UTFPR: pela Neosenti, desenvolve bengala branca inteligente que identifica obstáculos na altura do rosto e já captou R$ 680 mil da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial. Também lidera a ProteJÁ, wearable que previne quedas de idosos e opera por até 3 meses sem recarga.

Norte – Marcelly Câmara (30), UEA: cofundadora do coletivo Casa Verde, coordena o projeto Vidros da Amazônia, responsável pela reciclagem de mais de 27 mil garrafas. Participou ainda da criação de desidratador solar de frutas controlado por Arduino, com foco em reduzir desperdício e gerar renda em comunidades ribeirinhas.

Centro-Oeste – Giovanna Barbosa (23), UEG: idealizadora da WiMilk, combina visão computacional e machine learning para detectar mastite bovina antes da manifestação clínica, minimizando perdas econômicas na cadeia leiteira.

Nordeste – Rômulo Duarte (21), UFPB: colaborou com a Universidade da Pensilvânia no aprimoramento de algoritmos de detecção de câncer de mama em pacientes com implante, alcançando melhoria acima de 15 %. No âmbito estadual, modernizou sistema fiscal da Secretaria da Fazenda da Paraíba, reduzindo o tempo de atualização em 88 %.

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China: destino estratégico para acelerar a curva de aprendizado

A escolha da República Popular da China como destino centraliza-se na escala industrial e na velocidade de prototipagem presentes no ecossistema local. Para Spaggiari, a vivência in loco demonstra como políticas de longo prazo, investimento maciço em P&D e incentivo à participação de jovens em olimpíadas científicas contribuem para resultados tangíveis em robótica educacional e indústrias deep tech.

Entre os pontos de interesse confirmados no roteiro estão:

  • Visita a uma edtech chinesa que atende mais de 50 milhões de estudantes com plataformas de adaptive learning;
  • Tour em laboratório de IA aplicada a robôs móveis utilizados em linhas de montagem e logística;
  • Imersão em empresa de microssatélites voltados a sensoriamento remoto agrícola e monitoramento ambiental.

Além das visitas técnicas, o grupo participará de sessões de networking com engenheiros, investidores e acadêmicos locais, oferecendo oportunidade de benchmarking e possíveis parcerias internacionais.

Integração com mercado de trabalho e visão de longo prazo

O Prêmio Na Prática integra a estratégia da organização de aproximar talentos universitários de corporações dispostas a incorporar intraempreendedores. A entidade atua em parceria com centros de carreira de universidades para mapear competências socioemocionais e conectar pessoas de alto potencial a bancos, indústrias e empresas de tecnologia.

Dados internos indicam que 67 % dos finalistas das edições anteriores foram contratados por companhias parceiras em até 12 meses após a premiação. Para BTG Pactual, mantenedor do programa, a causa reflete interesse em fomentar capital humano capaz de gerar soluções escaláveis alinhadas a tendências ESG, saúde digital e agritech.

Conclusão Técnica

Com a viagem prevista para o primeiro trimestre de 2027, os cinco universitários deverão apresentar relatórios de resultados às respectivas instituições de ensino e à Na Prática até 90 dias após o retorno. A expectativa é que o intercâmbio produza protótipos avançados, novas rodadas de investimento e artigos científicos submetidos a periódicos internacionais. O modelo de premiação, testado desde 2019, deve ser expandido para incluir categorias de transição energética e bioeconomia na próxima edição, consolidando-se como porta de entrada para projetos acadêmicos com potencial de impacto global.

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