André Vasconcellos, diretor de Relações com Investidores da Fictor Alimentos, intensificou contatos em Brasília e no centro financeiro da Faria Lima, em São Paulo, para conquistar a última cadeira ainda aberta no colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), segundo fontes do mercado e de órgãos públicos.
A movimentação ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicar, em 7 de janeiro, Otto Lobo para a presidência da autarquia e Igor Muniz para uma das diretorias. Com essas nomeações, três dos cinco assentos da CVM seguem preenchidos, restando apenas um posto vago — alvo da campanha de Vasconcellos.
Quem é o candidato
Carioca, formado em Administração pelo Ibmec e especialista em Direito Societário e Mercado de Capitais pela FGV-Rio, Vasconcellos construiu carreira na área de relações com investidores da Eletrobras e foi diretor financeiro da Rio Securitização, ligada à prefeitura do Rio de Janeiro. Atualmente, cursa mestrado em Administração na PUC-Rio e integra o conselho do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri).
Ele assumiu o cargo de RI da Fictor Alimentos em outubro de 2024, após a companhia abrir capital na B3 por meio de um “IPO reverso”, que utilizou a estrutura da Atom Participações.
Ligação com a tentativa de compra do Banco Master
A Fictor Alimentos pertence ao Grupo Fictor, que, em novembro de 2025, apresentou proposta para comprar o Banco Master. A oferta foi divulgada um dia antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição, fato que levou analistas a classificarem a iniciativa como “cortina de fumaça”. Meses antes, em julho de 2025, o grupo já havia falhado na tentativa de adquirir o banco Porto Real por não comprovar capacidade financeira suficiente.
Articulação política
Interlocutores relatam que Vasconcellos tem mencionado apoio do presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), e do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). A CAE é responsável por sabatinar e aprovar indicações para a CVM antes de elas seguirem ao plenário da Casa.
A prática de fazer campanha aberta para integrar o órgão regulador é incomum. Tradicionalmente, nomes cotados evitam declarações públicas para não “queimar largada” em meio a negociações políticas.
Declaração de impedimento
Em nota, Vasconcellos afirmou que já era apontado como possível diretor da CVM antes de ingressar na Fictor Alimentos e declarou que, caso seja indicado e empossado, formalizará impedimento para julgar processos envolvendo Fictor Alimentos, Banco Master, Eletrobras ou empresas com as quais tenha mantido vínculo recente.

Imagem: valor.globo.com
Vacâncias e pressão no regulador
Desde julho de 2025, quando João Pedro Nascimento deixou a presidência da CVM, o colegiado opera desfalcado. As nomeações de Lobo e Muniz receberam críticas de técnicos da Fazenda, que veem influência política nas escolhas. A indefinição sobre o sucessor do ministro Fernando Haddad na pasta aumenta a incerteza sobre o perfil do próximo indicado.
O mandato de cada diretor da CVM é de cinco anos, podendo ser menor em caso de renúncia ou indicação para mandato tampão.
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Resumo: com o tabuleiro político ainda indefinido, o executivo da Fictor busca apoio para preencher a última vaga da CVM, enquanto o mercado observa o desfecho das sabatinas no Senado.
Com informações de Valor Econômico



