O Brasil voltou a registrar sua pior pontuação no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) divulgado pela organização não governamental Transparência Internacional. O resultado, equivalente ao ranqueamento anterior, reforça a avaliação de estagnação no combate aos desvios de recursos públicos no país.
Divulgado anualmente, o IPC mede como a corrupção é percebida em 180 países e territórios. De acordo com a ONG, o cenário brasileiro continua marcado por “fragilidades estruturais” nos mecanismos de controle, o que tem permitido avanços limitados na prevenção e punição de práticas ilícitas.
Principais pontos citados pela ONG
No relatório, a Transparência Internacional mencionou:
- Inércia do Supremo Tribunal Federal (STF): ausência de análise de recursos contra a decisão do ministro Dias Toffoli que anulou provas do acordo de leniência da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato.
- Infiltração do crime organizado: presença de grupos criminosos dentro de estruturas estatais.
- Contratos públicos de alto valor: acordos firmados com familiares de integrantes do STF foram citados como exemplo de possíveis conflitos de interesse.
- Interferências em investigações: supostas pressões políticas que dificultam o andamento de apurações sobre corrupção.
- Expansão das emendas parlamentares: crescimento de recursos de uso discricionário por congressistas, apontado como ambiente propício a irregularidades.
Contexto global desfavorável
A entidade observou que a percepção de corrupção piorou em diversas regiões, em meio ao que classificou como “enfraquecimento da ordem internacional baseada em regras”. Segundo o relatório, o aumento de conflitos e disputas geopolíticas tem reduzido a cooperação para fortalecer instituições de controle e transparência.
Embora a deterioração seja considerada global, a Transparência Internacional ressalta que o Brasil apresenta elementos específicos que, se não forem enfrentados, tendem a perpetuar índices negativos. Entre eles estão a lentidão judicial, a politização de órgãos de investigação e a falta de transparência em licitações e contratos públicos.
Para leitores que acompanham a movimentação de recursos públicos, entender como funcionam as emendas parlamentares pode ajudar a identificar pontos de vulnerabilidade no orçamento. Veja mais detalhes em nossa seção de Economia.

Imagem: cnnbrasil.com.br
O relatório completa que, sem mudanças estruturais, a perspectiva é de manutenção do atual patamar brasileiro, considerado baixo em comparação a países com níveis semelhantes de desenvolvimento.
Ao fim, a Transparência Internacional recomenda maior independência dos órgãos de controle, revisão de normas que facilitam interferências políticas e transparência total em todas as fases de licitações e contratos estatais.
Para continuar informado sobre temas que impactam a gestão de recursos públicos, acompanhe nossas próximas atualizações e entenda como as decisões políticas podem afetar o seu bolso.
Com informações de CNN Brasil


