Bancos centrais articulam nota de apoio a Jerome Powell após investida do governo Trump

Autoridades monetárias de vários países preparam uma declaração conjunta para manifestar solidariedade ao presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, depois de novo aumento da pressão do governo de Donald Trump sobre o banco central dos Estados Unidos.

Segundo fonte com conhecimento direto das conversas, o texto está sendo coordenado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS) e ficará disponível para assinatura de todos os bancos centrais. A divulgação pode ocorrer já nesta terça-feira (13), dependendo do ajuste de fusos horários entre os participantes.

Ataques judiciais e reação do Fed

A iniciativa de apoio surgiu após o Departamento de Justiça (DoJ) enviar intimações de um grande júri ao Fed, ameaçando um indiciamento criminal. Powell afirmou que a medida está relacionada ao depoimento que prestou ao Congresso, em junho, sobre reformas na sede da instituição.

Em comunicado escrito e em vídeo divulgado na noite de domingo (11), o dirigente classificou a ação como parte de “ameaças e pressão contínuas do governo”. “A ameaça de acusações criminais é consequência de o Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que serve ao público, e não nas preferências do presidente”, declarou.

Para economistas e autoridades internacionais, a ofensiva aumenta a preocupação de que a independência do Fed seja comprometida por interesses políticos, afetando decisões de inflação e crescimento econômico que se refletem no sistema financeiro global.

Solidariedade internacional

O governador do Banco do Canadá, Tiff Macklem, enviou na segunda-feira (12) nota de “apoio total” a Powell, elogiando a condução do colega “sob circunstâncias difíceis”. A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, também vem reiterando publicamente a importância de preservar a autonomia da política monetária e já fez manifestações em defesa do chefe do Fed.

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Imagem: valor.globo.com

Pressão política da Casa Branca

Donald Trump tem criticado repetidamente o banco central, cobrando cortes mais agressivos nos juros para baratear hipotecas e reduzir custos de financiamento do governo. Em entrevista à NBC News, no domingo, o presidente negou ter conhecimento da investigação do DoJ. Na segunda-feira, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Trump não ordenou o inquérito, mas mantém o direito de opinar sobre a condução do Fed.

Com o dólar e as decisões do Fed servindo de âncora para o sistema financeiro internacional, qualquer indício de intervenção política ou ameaça judicial à autoridade monetária americana desperta atenção imediata de bancos centrais, investidores e governos em todo o mundo.

Para continuar acompanhando os desdobramentos sobre independência de bancos centrais e seus impactos na economia, visite a seção de Economia do Capital Financeiro.

Com informações de Valor Econômico

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