O escândalo que envolve o Banco Master ganha novos capítulos após a revelação de tentativas de interferência política no Banco Central (BC) e de um contrato de R$ 130 milhões firmado com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Pressão sobre o Banco Central
A Câmara dos Deputados iniciou, recentemente, uma manobra para autorizar a demissão de diretores do BC. O requerimento de urgência, assinado por líderes do Centrão e que reuniu apoio de mais de 300 parlamentares, permitiria dispensar dirigentes considerados “contrários ao interesse nacional”. Segundo parlamentares, o objetivo era intimidar os responsáveis pela fiscalização do Banco Master, que estava perto de ter a liquidação decretada pela autoridade monetária. A proposta acabou frustrada, mas não foram divulgados valores que possam ter sido usados para angariar votos.
Contrato de R$ 130 milhões
Após a decretação da liquidação do Banco Master, veio à tona que o escritório de Viviane Barci de Moraes mantinha contrato estimado em R$ 130 milhões com a instituição, recebendo cerca de R$ 3,6 milhões por mês. O procurador-geral da República reconhece a existência do acordo e o considera legítimo, mas não há detalhes públicos sobre os serviços prestados que justifiquem esse montante.
Sigilo no Supremo
O ministro Dias Toffoli assumiu o inquérito sobre o Banco Master no STF utilizando a citação de um deputado federal para retirar o caso de instâncias inferiores. Após assumir o processo, impôs sigilo amplo e, segundo pessoas envolvidas, chegou a propor a acareação de dois investigados com um diretor do BC, colocando-os em condição de igualdade. As decisões reforçaram questionamentos sobre eventuais vínculos entre autoridades do Judiciário e o banco em liquidação.
Financiamento de campanhas on-line
Relatórios preliminares indicam que recursos do Banco Master também teriam custeado campanhas de opinião em redes sociais, envolvendo, entre outras origens, verbas de aposentados do Rio de Janeiro e do Amapá. A suspeita amplia a necessidade de apuração sobre o papel de servidores do Executivo nessas transações.
Imagem: Maria Isabel Oliveira via oglobo.globo.com
Enquanto as investigações não avançam de forma transparente, especialistas alertam que a confiança nas instituições permanece abalada, especialmente diante da possibilidade de ministros do STF estarem sob suspeita de ligações financeiras com o banco.
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Com informações de O Globo



