O Brasil universalizou a matrícula na educação básica, mas não consegue garantir que os alunos aprendam. É o que revela a mais recente edição da Síntese de Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta semana.
Segundo o levantamento, o país superou o desafio histórico de levar crianças à sala de aula, porém enfrenta dificuldades para assegurar qualidade, permanência e equidade no ensino. O IBGE mostra que a defasagem começa cedo: entre estudantes de 6 a 10 anos já há altos índices de atraso escolar, quadro agravado pelo fechamento de escolas durante a pandemia de Covid-19.
Impacto na trajetória escolar
Sem acompanhamento pedagógico adequado em turmas superlotadas, lacunas de aprendizagem se acumulam. O resultado é um “efeito cascata” que culmina no ensino médio, etapa em que muitos jovens chegam com distorção idade-série e sem domínio de competências básicas.
O instituto estima que 8,5 milhões de brasileiros de 15 a 29 anos estão fora da escola e do mercado de trabalho. Para especialistas, o dado transforma um problema educacional em alerta social, pois a evasão amplia a vulnerabilidade e a reprodução da pobreza.
Analfabetismo e primeira infância
O relatório também destaca a persistência do analfabetismo, especialmente no Nordeste, onde as taxas dobram a média nacional. Estudos citados pelo IBGE relacionam o problema à falta de estímulos na primeira infância, fase decisiva para o desenvolvimento cognitivo.
Saúde mental dos docentes
Outro ponto crítico é a condição de trabalho dos professores. Pesquisas mencionadas na síntese indicam altos níveis de estresse, burnout e depressão, levando a afastamentos e desistências da carreira. Sem apoio ao “capital humano” da educação, argumenta o documento, torna-se inviável melhorar o aprendizado.
Imagem: Léo Martins via oglobo.globo.com
Falta de continuidade nas políticas
Por fim, o IBGE observa que avanços sustentáveis dependem de políticas de longo prazo. Experiências internacionais mostram que resultados consistentes exigem estratégias que ultrapassem ciclos eleitorais de quatro anos, algo que o Brasil ainda não conseguiu consolidar.
O estudo conclui que, após universalizar o acesso, o país precisa universalizar a aprendizagem — desafio que envolve corrigir atrasos na infância, apoiar professores e garantir estabilidade nas ações governamentais.
Com informações de O Globo
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