Chefe do PCC vive há mais de dez anos em mansões de luxo na Bolívia, aponta investigação

Sérgio Luiz de Freitas Filho, 46 anos, conhecido nos meios policiais como “Mijão”, “Xixi” ou “2X”, é considerado pelo Ministério Público o integrante de mais alto escalão do Primeiro Comando da Capital (PCC) ainda em liberdade. De acordo com documentos obtidos por investigadores brasileiros, ele mora há mais de uma década em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, onde leva vida cercada de luxo em condomínios fechados, com muros altos, equipe de segurança e aluguel que chega a quase R$ 30 mil mensais.

Rotina de luxo e identidade falsa

Reportagens televisivas divulgadas neste domingo (7/9) mostram vídeos em que o foragido aparece em festas e rodas de pagode na cidade boliviana. Para despistar autoridades, utiliza documento em nome de Sérgio Noronha Filho. Registros indicam que ele já residiu em pelo menos seis imóveis de alto padrão; em um deles havia quadra de tênis, campo de futebol, três piscinas e um lago artificial.

Missão designada por Gegê do Mangue

Segundo o promotor Lincoln Gakiya, referência no combate à facção, Sérgio foi enviado à Bolívia por Rogério Jeremias de Simone, o “Gegê do Mangue”, para supervisionar a compra e o envio de pasta base de cocaína ao Brasil. “Ele foi crescendo dentro da organização”, afirmou o integrante do Ministério Público paulista.

Trajetória criminosa

Nascido em Campinas (SP), Sérgio começou a trabalhar aos 14 anos em uma metalúrgica e chegou a ser sócio de uma pequena usinagem. Em 2013, a Polícia Federal recebeu alerta do Drug Enforcement Administration (DEA) sobre uma quadrilha agindo entre Brasil, Paraguai e Bolívia. Naquele ano, câmeras do aeroporto de Viracopos captaram o suspeito embarcando para Corumbá (MS) ao lado de dois comparsas, com destino final em território boliviano.

Apesar de foragido, o traficante circulou sem obstáculos pelo Brasil: assistiu à final da Copa Sul-Americana de 2013 no estádio do Pacaembu, frequentou praias do Guarujá (SP) e conversou sobre compra de fuzis e lavagem de dinheiro no próprio aeroporto de Viracopos.

Bolívia como refúgio do PCC

Santa Cruz de La Sierra virou abrigo para outros líderes da facção. Gegê do Mangue e Fabiano Alves de Souza, o “Paca”, também viveram ali até serem assassinados em 2018 durante viagem ao Brasil. Gilberto Aparecido dos Santos, o “Fuminho”, foi capturado em 2020 em Moçambique, enquanto André Oliveira Macedo, o “André do Rap”, permanece foragido. Já Marcos Roberto de Almeida, o “Tuta”, foi detido em maio após tentar renovar documentação falsa na própria cidade boliviana.

Para investigadores, a permanência de chefes do PCC no país vizinho é facilitada por corrupção local. Empresários que atuariam como “testas de ferro” mantêm restaurantes, casas noturnas e imóveis de alto padrão. “Aqui, com dinheiro, você fica impune”, relatou o fotógrafo Ditter Morales, que registrou algumas das residências usadas por Sérgio.

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Imagem: g1.globo.com

Movimentação financeira bilionária

Relatórios de inteligência apontam que, entre 2018 e 2019, o núcleo do PCC ligado a Sérgio movimentou mais de R$ 1 bilhão. Mesmo incluído na difusão vermelha da Interpol, ele continua frequentando bares, restaurantes e condomínios de luxo. Uma fotografia publicada em janeiro, pelo enteado, revelou a presença do fugitivo em um lago artificial dentro de um empreendimento fechado, mas isso não resultou em prisão.

A Polícia Federal informou, em nota, que mantém monitoramento constante de foragidos e coopera com autoridades bolivianas, citando a recente captura de “Tuta” como exemplo. Ainda assim, jornalistas locais afirmam que pedidos de cooperação muitas vezes ficam “congelados” por influência de redes de corrupção.

O paradeiro de Sérgio de Freitas Filho continua sendo objeto de interesse de forças de segurança dos dois países, mas, até o momento, não há previsão de captura.

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Com informações de g1