Minerva Foods lidera ganhos do Ibovespa à medida que Washington planeja reduzir tarifas sobre a carne bovina

A sinalização de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prepara ordens executivas para flexibilizar tarifas sobre a carne bovina impulsionou as ações da Minerva Foods (BEEF3), que fecharam 11 de maio em alta de 4,63 %, cotadas a R$ 4,29, liderando o Ibovespa em um pregão de queda generalizada.

Reação imediata do mercado e números do pregão

O principal índice da B3 recuou 1,19 % no mesmo dia, encerrando aos 181.908,87 pontos. Contra esse pano de fundo, o desempenho da Minerva Foods destaca-se pelo contraste com o humor negativo dos investidores. Segundo dados de balcão compilados ao término da sessão, o volume negociado com o papel superou em 35 % a média dos últimos 30 dias, indicando fluxo comprador robusto em resposta às notícias provenientes de Washington.

Analistas consultados ressaltam que o movimento não foi isolado: outras exportadoras de proteína animal listadas na B3 também registraram ganhos, ainda que mais moderados. A estimativa preliminar é de que cada ponto percentual de redução tarifária nos Estados Unidos possa acrescentar até US$ 25 milhões anuais à receita líquida consolidada da Minerva, dependendo da capacidade de escoamento da produção sul-americana para o mercado norte-americano.

Detalhes das ordens executivas e contexto na economia dos EUA

De acordo com a Bloomberg, fontes da Casa Branca confirmaram que Donald Trump pretende assinar duas ordens executivas com o objetivo de baratear o preço da carne bovina no varejo doméstico. A primeira contemplaria a suspensão temporária das tarifas incidentes sobre volumes importados acima da cota anual; a segunda ofereceria incentivos fiscais aos pecuaristas para recompor o rebanho, hoje no menor nível em 75 anos.

A pressão sobre a inflação de alimentos nos EUA é refletida no Personal Consumption Expenditures (PCE), que avançou 4,5 % no 1T26, frente aos 2,9 % do trimestre anterior. O núcleo do PCE, desconsiderando itens voláteis, subiu 4,3 %. Essa escalada eleva o custo de vida e amplia o escrutínio político sobre a administração federal, motivando iniciativas para ampliar a oferta interna de proteína e conter repasses de preços.

Paralelamente, processadoras norte-americanas operam com margens comprimidas devido à escassez de gado. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) projeta que o rebanho bovino local deve encerrar 2026 com cerca de 87,2 milhões de cabeças, o menor contingente desde 1951. A abertura de mercado a fornecedores estrangeiros surge, portanto, como medida de curto prazo para mitigar gargalos e reduzir custos ao consumidor.

Impacto estratégico para a Minerva Foods e para o setor brasileiro

No resultado do 4T25, os Estados Unidos representaram 21 % da receita de exportação bruta da Minerva Foods. Uma eventual redução tarifária ampliaria a competitividade da proteína brasileira ante a produzida localmente, abrindo espaço para aumentos de volume e margens. A companhia já possui plantas habilitadas a exportar para o mercado norte-americano, o que confere rapidez de reação às mudanças regulatórias.

Além da Minerva, outras processadoras brasileiras, como JBS e Marfrig, também seriam favorecidas. O Brasil dispõe de um dos menores custos de produção global, graças a fatores como clima favorável, maior disponibilidade de pastagem e produtividade crescente. Em 2025, o país respondeu por 23 % do comércio mundial de carne bovina, conforme dados da Organização Mundial do Comércio.

Especialistas em comércio exterior estimam que as exportações brasileiras de carne bovina para os EUA possam crescer entre 15 % e 18 % nos 12 meses subsequentes à entrada em vigor da medida, caso confirmada. Esse incremento não depende apenas da tarifa, mas também de questões sanitárias, logística frigorificada e capacidade de abate homologada pelo USDA.

Conclusão técnica

O avanço de 4,63 % em BEEF3 reflete uma precificação antecipada de benefícios operacionais decorrentes da provável flexibilização tarifária norte-americana. A tendência permanece condicionada à assinatura efetiva das ordens executivas e à velocidade de implementação dos incentivos para recomposição do rebanho nos EUA. Caso as medidas entrem em vigor nos moldes divulgados, espera-se aumento de volumes exportados, potencial fortalecimento das margens e correção positiva nas projeções de receita da Minerva Foods para 2026. Investidores acompanham agora o cronograma oficial da Casa Branca e eventuais ajustes no sistema de cotas para dimensionar com maior precisão o impacto financeiro sobre as companhias brasileiras do setor de proteína animal.